Um estudo australiano
sugere que as redes sociais têm feito adolescentes terem transtornos
alimentares em idade cada vez mais precoce. O trabalho foi feito por
pesquisadores da Universidade Flinders, que entrevistaram cerca de 1.000
adolescentes de 12 a 14 anos de escolas particulares para chegar à conclusão.
Os resultados mostraram
que 51,7% das garotas e 45% dos garotos apresentam comportamentos pouco
saudáveis, como fazer jejum e abusar dos exercícios para ganhar músculos. E
muitos deles tinham apenas 12 anos!
Do total de
entrevistados, três 75,4% das garotas e 69,9% dos garotos tinham conta em pelo
menos uma rede social, sendo o Instagram a mais utilizada. Metade da amostra
tinha menos de 13 anos de idade, a idade mínima recomendada para o uso da
plataforma. Muitos participantes também utilizavam o Snapchat.
Os pesquisadores dizem
que quanto mais tempo os entrevistados passam nas mídias sociais, maior a
frequência de comportamentos e pensamentos consistentes com transtornos como
anorexia, bulimia ou vigorexia (obsessão em ganhar músculos). Os dados foram
publicados no periódico International Journal of Eating Disorders.
A equipe acredita que é
preciso aumentar a resiliência dos jovens para os impactos provocados pelas
mídias sociais, por isso está lançando, na Austrália, um programa com o
objetivo de conscientizar adolescentes e adultos jovens, chamado “Media Smart
Online”.
Vale mencionar que, em
outubro, um grande estudo conduzido no Reino Unido e na Irlanda revelou que as
taxas de anorexia em crianças de 8 a 12 anos de idade saltou de 2,1 em 100 mil
casos, em 2006, para 3,2 por 100 mil, em 2015.
Os números foram
obtidos a partir da análise de registros mensais de novos casos enviados por
psiquiatras ao Sistema de Vigilância em Psiquiatria da Criança e do Adolescente
ao longo de oito meses. A maioria dos pacientes são mulheres jovens e de etnia
branca. Apesar de as taxas entre os mais jovens chamarem atenção, o pico dos
registros é de garotas em torno dos 15 anos de idade. Para os garotos, o pico é
aos 16.
Em artigo publicado
no BMJ Open, os pesquisadores alertam que é preciso entender melhor
as causas desse crescimento de casos em idade precoce. Pode ser apenas uma
consequência de pais mais informados e melhora no diagnóstico. Mas também pode
ser um efeito da tecnologia. Vamos esperar que novos estudos sejam feitos.
Enquanto isso, vale a pena ensinar crianças e adolescentes a serem mais
críticos em relação ao conteúdo que acessam na internet.



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