O abuso de comidas
ultraprocessadas está associado a um maior risco de diabetes,
que se soma aos perigos já previamente conhecidos de maior obesidade e de
doenças cardiovasculares, revelou um estudo divulgado hoje.
Embora o trabalho
mostre um vínculo entre os alimentos ultraprocessados e essas doenças crônicas,
não se comprovou nenhum vínculo causal nesta etapa, admitem os autores deste
estudo francês publicado no periódico americano JAMA Internal Medicine.
"O acúmulo de
dados levou vários países, como França e Brasil, a recomendar que se favoreçam
os alimentos não processados (...) e se limite o consumo de alimentos
ultraprocessados, em nome do princípio de precaução", afirmou.
Os alimentos são
considerados ultraprocessados quando foram submetidos a um tratamento
industrial e contêm muitos ingredientes, incluindo aditivos.
Isso engloba, por
exemplo, a maioria dos pratos congelados e refrigerantes. Em geral, são mais
ricos em sal, gordura saturada e açúcar, mas pobres em vitaminas e fibra,
segundo os pesquisadores.
O trabalho publicado
hoje se concentra no diabetes tipo 2 (quase 90% dos casos), frequentemente
associado à obesidade e ao estilo de vida, ao contrário do diabetes tipo 1, que
é uma doença autoimune.
O estudo toma elementos
dos 104.000 participantes da vasta pesquisa francesa NutriNet-Santé,
estabelecido em 2009 para estudar os vínculos entre nutrição e saúde.
"Quanto maior for
a proporção de alimentos ultraprocessados na dieta, maior é o risco de diabetes
tipo 2", afirma o texto.
"Estes resultados
devem ser, porém, confirmados em outras populações e com outros métodos",
ressaltam os autores.
Eles admitem, de
qualquer modo, que não se pode afirmar com certeza que o maior risco de
diabetes provém apenas destas comidas. Outros parâmetros, como a falta de
exercício físico, podem estar relacionados.
Ainda assim, "as
associações observadas (entre estes alimentos e o risco de diabetes) são fortes
o suficiente para justificar outra investigação", avalia o professor
Gunter Kuhnle, da Universidade de Reading (Inglaterra).
Uma parte anterior do
estudo NutriNet-Santé, publicada em maio, mostrou que o consumo de alimentos
ultraprocessados está associado com um maior risco de doença cardiovascular.
Trabalhos espanhóis e
americanos também encontraram um vínculo entre este tipo de comida e um maior
risco de mortalidade.


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