Um frágil pergaminho hebraico, que
acaba de ser aberto e digitalizado, revelou a cópia mais antiga de uma
escritura bíblica do Antigo Testamento já encontrada, segundo anunciou feito na
quarta-feira (21) por um grupo de pesquisadores.
Conhecido como o pergaminho En-Gedi,
o rolo contém um texto do Levítico e data pelo menos dos séculos III ou IV, e
possivelmente antes, segundo um artigo da revista Science Advances.
Trata-se do pergaminho mais antigo já
encontrado do Pentateuco, a coleção dos cinco primeiros livros da Bíblia.
A publicação afirmou que decifrar seu
conteúdo foi "uma importante descoberta da arqueologia bíblica".
O pergaminho em si não é o mais
antigo já encontrado. Tal honra pertence ao bíblico Manuscritos do Mar Morto,
que data de entre o século III antes de Cristo e o século II da nossa era.
A datação por radiocarbono mostrou
que o pergaminho En-Gedi data do século III ou IV depois de Cristo, embora
alguns especialistas acreditem que possa ser mais antigo.
As análises sobre o estilo da
caligrafia e os traços das letras sugerem que poderia ser da segunda metade do
século I ou de princípios do século II depois de Cristo.
Por muito tempo se pensou que seu
conteúdo havia sido perdido para sempre porque o rolo foi queimado no século VI
e era impossível tocá-lo sem que se desfizesse em cinzas.
O pergaminho foi encontrado em 1970
por arqueólogos em En-Gedi, lugar de uma antiga comunidade judia do fim do
século VIII. Seus fragmentos foram preservados por décadas pela Autoridade de
Antiguidades de Israel.
"A estrutura principal de cada
fragmento, completamente queimada e esmagada, tinha se transformado em pedaços
de carvão que continuavam se desintegrando cada vez eram tocados", disse o
estudo.
Os pesquisadores utilizaram como
ferramenta um avançado scanner digital para "desenrolá-lo
virtualmente" e ver seu conteúdo.
"Ficamos impressionados com a
qualidade das imagens", disse Michael Segal, diretor da Escola de
Filosofia e Religião da Universidade Hebraica de Jerusalém.
Os cientistas também ficaram
impactados com "o fato de que nessas passagens o pergaminho En-Gedi
Levítico é idêntico em todos os seus detalhes, tanto as letras como a divisão
em seções, ao que chamamos de texto massorético, o texto judaico vigente até hoje",
disse Segal.
Os pesquisadores esperam que as
técnicas utilizadas para lê-lo sirvam também para outros pergaminhos
danificados, incluindo alguns da coleção do Livro do Mar Morto, que continua
sendo indecifrável.


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