FONTE: *** Georgia Castro, http://georgiacastro.blogosfera.uol.com.br
Elas viraram mania,
principalmente entre o público jovem. Mas por que será que essas bebidas são
ditas energéticas? Acima de tudo, porque elas têm cafeína, substância que
notoriamente auxilia no estado de alerta e aumenta a nossa concentração. Desde
que bem dosada, é claro.
Para que a cafeína nos
deixe mais conectados, o recomendado é o consumo diário entre 75 miligramas — o
equivalente ao que você obtém em uma xícara de 60 mililitros de um expresso,
porque o café coado caseiro possui a metade disso — a 200 miligramas da
substância. Para que tenha noção: uma latinha de energético contém, em geral,
de 80 a 100 miligramas de cafeína.
A partir desses 200
miligramas, dizem alguns estudos, você pode até melhorar a capacidade de
resistência e o desempenho nos exercícios físicos, pensando nos consumidores
que não buscam apenas ficar com o cérebro mais ligado e estão de olho na
performance durante os treinos.
Trabalhos apontam que,
beirando o limite 300 miligramas, a cafeína não causaria prejuízos à saúde.
Mas, é claro, isso depende da sensibilidade de cada um, que pode variar
bastante.
O problema do excesso é
que ele estimula demais o sistema nervoso central e o músculo cardíaco. Daí que
uma dose maior do que 400 miligramas não costuma fazer bem a ninguém, levando a
sintomas em graus variados, como ansiedade, perda de apetite, irritabilidade,
tremores, inquietação, tensão muscular e palpitações cardíacas. Por isso que eu
digo: cuidado!
Você precisa ficar
atento para não ultrapassar os limites de cafeína. Vamos considerar que costume
tomar, todos os dias, uma xícara de café expresso ao acordar e outra após o
almoço. Ou seja, só aí você já consumiu, em média, 150 miligramas de cafeína.
Então, se vai a uma festa mais tarde e, lá, toma duas latinas de energético, já
terá ultrapassado, com relativa facilidade, os 300 miligramas da substância.
Sem contar que pode ter ingerido outras fontes de cafeína ao longo do dia, como
o pó de guaraná — em cada 1 grama dele, você tem de 9,5 a 36,7 miligramas do
componente— e até mesmo certos refrigerantes. Embora a contribuição deles em
matéria de cafeína possa ser bem menor, no final tudo conta.
Nesse raciocínio, uma
boa orientação de consumo seria beber duas latinhas de energético em
substituição ao café daquele dia. Ou tomar uma lata dessa bebida e só uma
xícara pequena de café. Ou seja, sempre buscar compensar para encontrar o
equilíbrio.
Os energéticos também
costumam conter taurina, na quantidade máxima de 400 miligramas. A taurina é o
resultado do metabolismo de dois aminoácidos, a metionina e a cisteína. Ela é
geralmente encontrada em altas concentrações nas algas, nos crustáceos (eles chegam
a ter 8.270 miligramas de taurina por quilo!) e na carne de aves como o peru
(com 3.000 miligramas por quilo). E o que a taurina faz? Além de ajudar na
função de cognição do cérebro, ela retarda o aparecimento da fadiga. Daí que
tem uma ação diferente, mas que pode complementar, por assim dizer, a da
cafeína.
Uma curiosidade: para
que a taurina seja obtida a partir da metionina e cisteína, depende da ajuda da
vitamina B6. Por isso, muitos energéticos contêm vitaminas do complexo B em
quantidades que alcançam 100% do valor diário recomendando. Aliás, nem só por
isso: as vitaminas do complexo B, indiretamente, ajudam no funcionamento normal
do metabolismo para produção de energia para o corpo, porque fazem com que ele
aproveite com muito mais facilidade a proteína, a gordura e o carboidrato.
Outro ingrediente comum
nos energéticos é a glucoronolactona. Esse nome difícil se refere a uma
substância que nosso organismo produz naturalmente, desde que tenha glicose
disponível. E, cá entre nós, de um jeito ou de outro todo alimento acaba
produzindo glicose, de modo que ela nunca falta… A glucoronolactona também
aumenta a energia e pode diminuir a sonolência.
Finalmente, os
energéticos podem ter ainda o inositol, uma espécie de parente químico do
xilitol, outro elemento capaz de melhorar a performance mental. A quantidade
máxima dessa substância em uma latinha é segura: 20 miligramas em cada 100
mililitros apenas.
No entanto, uma péssima
ideia — infelizmente comum — é consumir um energético com bebida alcoólica. O
álcool — que pode até estar presente em algumas marcas, na quantidade máxima
permitida de 0,5 mililitros em 100 mililitros — potencializa o efeito de todos
os componentes da bebida energética. E isso, claro, é arriscado. Tanto que, em
alguns países, a combinação é terminantemente proibida. Assim como, mesmo sem
misturar com nada, um energético não deve ser consumido por grávidas nem por
crianças. Olhe sempre no rótulo, em especial na lista de ingredientes a
quantidade de cafeína, taurina, inositol e glucoronolactona, é obrigatório
declarar.
Sobre
a autora.
Engenheira de alimentos
pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, e doutora em nutrição
pela Universidade Estadual de Campinas e pelo INRA, na França, Georgia Castro
passou mais de 20 anos na área de assuntos científicos e pesquisa aplicada de
algumas das maiores indústrias de alimentos do mundo, conhecendo como poucos os
bastidores da produção daquilo que chega à nossa mesa. Atualmente, trabalha
como coach de saúde e bem-estar.
Sobre
o blog.
Um espaço para você
saber a verdade e compreender a composição dos alimentos embalados, aqueles que
compramos no supermercado, nos atacados, nas lojas de conveniências ou que
pedimos em cantinas, lanchonetes, bares e outros locais tão presentes na vida
cotidiana. Assim, com informação, você será capaz de fazer escolhas de forma
mais consciente.


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