FONTE:
Luciana Mattiussi, Colaboração para o UOL (estilo.uol.com.br).
Quando se fala sobre prazer sexual masculino,
muita gente acredita que orgasmo e ejaculação são a mesma coisa. Afinal, eles
estão intimamente ligados e acontecem simultaneamente com frequência. Os
especialistas, no entanto, alertam que são fenômenos distintos. Por isso nem
sempre o homem que ejacula tem prazer. Assim como também é possível sentir prazer
sem ejacular.
“O orgasmo é uma experiência sensorial
relacionada ao clímax do ato sexual, ao passo que a ejaculação é a expulsão ou
emissão do líquido seminal. É bastante comum que sejam confundidos, pois, na
maioria das vezes, ocorrem simultaneamente”, afirma o urologista Guilherme Leme
de Souza, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
O urologista e cirurgião geral Daniel Luiz
Paulillo, membro da Sociedade Brasileira de Urologia, destaca ainda que,
enquanto o orgasmo é um processo neurofisiológico com liberação de serotonina
(substância neurotransmissora), culminando com sensação de prazer, a ejaculação
é um fenômeno mecânico. “Há contração da musculatura pélvica e a eliminação do
conteúdo espermático pela uretra.”
Além de serem processos distintos, a ejaculação e o orgasmo não dependem um do outro para ocorrer.
Além de serem processos distintos, a ejaculação e o orgasmo não dependem um do outro para ocorrer.
“Ter orgasmo sem ejacular é uma situação possível
e não rara. Os homens que precisaram remover a próstata cirurgicamente, por
exemplo, não terão mais a ejaculação, uma vez que esse órgão é o responsável
pela produção do líquido seminal”, diz José Bento de Souza, ginecologista do
Hospital Albert Einstein.
Como a próstata não tem papel na ocorrência do orgasmo, ele pode acontecer naturalmente e recebe o nome de anejaculação ou orgasmo seco.
A falta de ejaculação pós-orgasmo também é mais
comum em portadores de diabetes, hipertensão e em quem utiliza medicamentos
antidepressivos. Mas mesmo os homens ditos saudáveis podem atingir o clímax e
não gozar.
Fato nada incomum.
“Se o homem estiver muito cansado, estressado ou
não se alimentou direito durante o dia, não é incomum ele chegar ao fim da
transa sem ejacular, mesmo que tenha sentido um prazer intenso. E isso não quer
dizer que ele tenha algum problema”, afirma Marcelo Bernstein, psicanalista com
especialização em sexualidade humana pelo Centro de Estudo e Pesquisa do
Hospital Pérola Byington, também na capital paulista.
Os homens que já passaram ou passam
esporadicamente pela experiência de ter orgasmo sem ejacular não precisam se
preocupar.
“O machismo ainda é muito forte no Brasil. Existe
a crença de que orgasmo e ejaculação são a mesma coisa e estão diretamente
relacionados ao desempenho. Então, quando não ejaculam, muitos homens entram em
parafuso. Entretanto, gozar não é sinônimo de virilidade e não há com o que se
preocupar se não for algo frequente”, fala Bernstein. A procura por ajuda só se
torna necessária quando a ocorrência se torna frequente.
O contrário –ejacular sem sentir prazer– também
pode acontecer sem necessariamente ser um problema, como durante a polução
noturna (ejaculação involuntária que acontece durante o sono). Mas pede
acompanhamento de um especialista quando a causa é ejaculação precoce. “Muitas
vezes, o homem ejacula tão rapidamente que não chega ao clímax. Nesse caso, o
melhor é consultar um urologista para orientações e tratamento adequado”, fala
Paulillo.
O nome desse fenômeno é anorgasmia ou ausência de
orgasmo. Segundo o especialista do Einstein, a causa mais frequente para essa
condição é o uso inadequado de determinadas drogas antidepressivas.

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