A hemofilia é um
distúrbio genético e hereditário que compromete a capacidade do corpo em formar
coágulos, tão necessários para interromper as hemorragias. Isso acontece quando
há ausência de proteínas, substâncias que, dentre inúmeras funções, ajudam na
coagulação.
Quando uma pessoa corta
alguma parte do corpo e começa a sangrar, são as proteínas que entram em ação
para estancar o sangramento. Esse processo é chamado de coagulação. As pessoas
portadoras de hemofilia, não possuem essas proteínas e sangram mais.
"Não podemos
esquecer que as pessoas também podem ter coagulações internas, como
sangramentos espontâneos nas articulações ou nos músculos e podendo até levar a
deficiência física, caso não seja tratado", destaca a Dra. Eveny Cristine
Luna - hematologista - Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian
(Humap) - Campo Grande (MS).
Quem tem hemofilia,
quando se machuca, permanece sangrando durante um tempo maior do que pessoas
que não possuem o distúrbio. Também há casos que o sangramento pode ocorrer por
vários dias, após um ferimento ou uma cirurgia.
Outra característica de
quem tem hemofilia é a baixa atividade dos fatores de coagulação. Existem 13
tipos diferentes de fatores de coagulação e os seus nomes são expressos em
algarismos romanos. Pessoas com deficiência de atividade do Fator VIII, por
exemplo, possuem hemofilia A. Aquelas com deficiência de atividade do Fator IX,
possuem hemofilia B.
As hemofilias A e B
atingem predominantemente pessoas do sexo masculino, com mais de 40 anos e
negros.
Sintomas.
Os sintomas mais comuns
são os sangramentos prolongados.
Esses sangramentos
podem ser externos, como quando ocorrem cortes na pele, ou internos, quando o
sangramento ocorre dentro das articulações, dentro dos músculos ou em outras
partes internas do corpo.
Como a coagulação nessas pessoas é muito lenta, ocorre grande derramamento de sangue nessas regiões provocando inchaço e dor.
Diagnóstico.
O diagnóstico de
hemofilia deve ser pensado sempre que há histórico de sangramento fácil, após
pequenos traumas, ou ainda se casos espontâneos, quando são formados hematomas
subcutâneos nos primeiros anos de vida.
Também é preciso ficar
atendo ao sangramento muscular e/ou articular, em meninos acima de dois anos,
ou mesmo com história de sangramento excessivo após procedimentos cirúrgicos ou
extração dentária.
"O diagnóstico de
hemofilia pode ser detectado também na gestação, mas não é um exame pedido no
pré-natal, ele pode ser feito, mas só é pedido em casos com histórico na
família", fala Luna. Segundo a especialista, em até 30% dos casos pode não
haver antecedente familiar de hemofilia.
Tratamento.
O SUS (Sistema Único de
Saúde) oferece uma linha de cuidados de qualidade para tratar a hemofilia e
prevenir suas complicações, que vai desde o diagnóstico correto e o atendimento
aos pacientes e familiares por equipes multidisciplinares. Tudo orientado por
protocolos específicos.


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