A sensação é conhecida
de algumas mulheres. Apesar de excitadas e com vontade de fazer sexo rápido —
aquela rapidinha —, as mulheres encontram um empecilho para a penetração: seca,
a vagina não permite a passagem do pênis. Aí, dá-lhe sexo oral, preliminares ou
lubrificantes à base de água para deixar molhada e
a vontade de transar não virar uma frustração completa.
Ter dificuldade em
ficar molhada antes ou durante a relação sexual é comum. E nem sempre a pouca
lubrificação ou a falta dela significam ausência de desejo. Às vezes, o tesão
está lá, mas a lubrificação não ocorre de forma adequada para que o sexo seja
confortável e prazeroso. Antes de sair em busca de lubrificantes vaginais, que
nem todas as mulheres gostam, é preciso investigar as causas do problema, que
podem ser físicas ou emocionais.
"A mulher pode
estar envolvida sexualmente e mesmo assim apresentar secura. São situações que
o ginecologista deve avaliar, para checar o que está atrapalhando o
processo", afirma a especialista em sexualidade do Sexo sem Dúvida,
Carolina Freitas.
O ressecamento vaginal
pode aparecer em qualquer idade. Apesar de mais
comum no período da menopausa, acontece no pós-parto
e durante a amamentação devido às alterações hormonais, principalmente
relacionadas à queda de estrogênio e testosterona. O uso de anticoncepcionais e
antidepressivos também podem prejudicar a lubrificação feminina.
A organizadora de
eventos Priscila*, 34 anos, de São Paulo, é mãe de um menino de um ano e meio.
Ainda amamentando e com a rotina exaustiva — com a cama compartilhada com a
criança e o marido, cansaço devido às mamadas noturnas e libido baixíssima —,
ela conta que a lubrificação diminuiu consideravelmente. "Fiz meus exames
de rotina e a ginecologista disse que era por conta da amamentação", afirma
Priscila. A saída foi aumentar o tempo das preliminares para que a vagina fique
mais molhada e o sexo seja prazeroso para o casal. "O início é bem
difícil, mas depois de muito sexo oral e masturbação a transa rola numa boa.
Também faço uso de lubrificantes à base de água comprados na farmácia."
Causas
físicas e emocionais.
Para saber se o
problema é hormonal, será preciso realizar exames que vão verificar o
funcionamento da tireoide; analisar índices de testosterona total e livre;
cortisol (hormônio do estresse); além do estrogênio e prolactina, que podem
interferir diretamente na vida sexual. "O estrogênio e a testosterona, por
exemplo, estão relacionados à musculatura, ao revestimento de colágeno da
mucosa genital e aos microrganismos que ali habitam. A falta deles diminui a
lubrificação", afirma a ginecologista Patrícia Romeiro Bretz, especialista
em reposição hormonal e endometriose.
A sexualidade da mulher
é complexa. Portanto, as causas emocionais devem ser consideradas. Excesso de
ansiedade, medo de sentir dor na relação sexual, relacionamento em crise e
falta de conhecimento do corpo podem afetar a saúde sexual. "Nesses casos,
a terapia ajuda na retomada e manutenção da lubrificação", afirma Carolina
Freitas, que também é mestre em Psicologia.
Casada há 45 anos, a
aposentada Maria Aparecida*, 70 anos, conta que há dois anos passou a sentir um
ressecamento na vagina. Na hora do sexo, ela relata uma sensação de 'areia' no
canal vaginal, o que a deixava com medo de sentir dor. "Era horrível e nenhum
lubrificante dava jeito", afirma. Ao procurar a ginecologista, Maria
Aparecida passou a fazer uso de testosterona três vezes na semana (a aplicação
ocorre na pele, em locais com pouco pelo); e também estrogênio nos outros dias,
que é introduzido dentro da vagina. Depois de um tempo de uso, a aposentada
relata que o sexo melhorou muito e que a sensação de areia foi embora.
O
que pode ajudar.
Tratamentos
com laser ou radiofrequência promovem ótimos
resultados, segundo a ginecologista. Na primeira sessão são indicadas três
aplicações e, após esse período, basta uma vez ao ano. "São indicados para
as mulheres que param de usar os cremes vaginais à base de estrogênio ou
testosterona devido ao desconforto, pois alguns escorrem", afirma Patrícia
Bretz.
Por ser um músculo,
algumas técnicas de exercícios vaginais, como a fisioterapeuta pélvica e
uroginecológica ou o pompoarismo
são indicados para diminuir o ressecamento. "Estar em contato com o corpo,
conhecer as sensações de prazer tendem a aumentar o desejo e a excitação,
melhorando a lubrificação", afirma a especialista em sexualidade.
Outras dicas para dar
um up na lubrificação são: manter a higiene adequada da região vaginal com água
e sabão e evitar sabonetes que alteram o pH da região.
*Os
nomes foram trocados para manter o anonimato das entrevistadas.

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