FONTE:
, Cid Pitombo, cirurgião
bariátrico***, https://www.msn.com/
As doenças que mais matam no mundo — infarto, câncer, AVC,
falência renal, hipertensão, diabetes... — na maioria das vezes estão
associadas aos alimentos que ingerimos ao longo da
vida. Isso porque a dieta está diretamente ligada ao desenvolvimento da obesidade, que é
fator de risco para esses problemas de saúde.
Até mesmo a Covid-19, que ceifou em menos de um ano a vida de mais de 2
milhões de pessoas mundo afora, foi muito mais letal em
indivíduos acima do peso e com essas comorbidades. Nesse contexto, o excesso de gordura, sal, açúcar
e álcool se transformou ainda mais em um vilão. É quase
impossível chegar à velhice saudável se passarmos toda a vida ingerindo
alimentos que se acumulam no corpo em forma de gordura, inclusive nos nossos
órgãos. Não se trata de fazer dietas mirabolantes.
O problema está no excesso. Não sou a favor dessas propostas de
elevar o consumo de gordura e retirar todo o carboidrato, por exemplo. Tudo
que é exagero não se sustenta no longo prazo. Precisamos aprender a
comer bem, todo dia e para o resto da vida. E se alimentar da forma correta é
consumir um pouco de carboidrato, um pouco de proteína, uma porção de legumes e
verduras e frutas...
Em todas as refeições. Comer bem é simples. E o hábito deve ser
adotado desde a infância, estimulado pelos pais. A
obesidade é uma doença que, muitas vezes, se constrói aos poucos. São anos
acumulando gorduras em excesso e se tornando cada vez mais compulsivo à
mesa. Ingerindo mais calorias do que gastando. Até o momento em que
o descontrole fica quase impossível de reverter, mesmo comendo menos.
O mundo é perverso e as tentações estão por todos os lados. A
pessoa liga a TV hoje e o que mais tem ali é programa de receitas de doces e
comidas maravilhosas, cheias de gorduras e açúcares. Aí vai para as redes
sociais e encontra um bombardeio de posts e propagandas de gostosuras.
Chega na festinha do amigo, e o cardápio é todo à base de
farinha e frituras. O complemento é a cerveja, cheia de amidos que se
transformam em açúcar no organismo. Se não tem a comida feita em casa, vem
a industrializada, que, além de gordura, é cheia de
sódio, utilizado como conservante. Como sobreviver a isso? Sim, é preciso se
esforçar.
E lembrar sempre que a saúde é o nosso maior patrimônio. Na hora
de se divertir, cheio de alimentos ruins e bebidas alcoólicas, não faltam
amigos. Mas e quando ficamos doentes, alguém nos socorre? Se você deixar de
ingerir o que lhe oferecem, ninguém vai deixar de seu amigo. Não se preocupe.
Mantenha-se firme em seu propósito de não engordar ou de emagrecer. Se for o
caso, leve sua alimentação saudável ao evento ou ao trabalho. Quem sabe alguém
não se inspira em seu exemplo?
Comer abobrinha, berinjela, cenoura, chuchu, brócolis e
couve-flor é uma questão de hábito. No início, você até pode achar ruim, mas
depois de um tempo passa a adorar. E nem vai querer passar perto de fast-food.
Chega um momento em que qualquer excesso até enjoa ou causa
mal-estar. Sabia que o açúcar é como uma droga? Você come para saciar um desejo
e depois quer mais e mais. Aprenda a apreciar o sabor doce das frutas.
Tem para todos os tipos e gostos. E não faz mal. Deveria haver
leis e incentivos que estimulassem as vendas de hortifrutigranjeiros e proibissem
a venda de alimentos prejudiciais em certos locais, mas o que vemos é o
contrário.
As crianças estão
superexpostas às tentações nos shoppings. Somente nas escolas recebem boa alimentação,
e mesmo assim, nem sempre nos lanchinhos enviados pelos pais. Eu conheci obesos
pelo mundo inteiro. Minha especialidade é a cirurgia bariátrica, solução que adotamos quando as pessoas chegam a um ponto em
que não conseguem mais controlar o ímpeto de comer muito e mal. Mas o que vi em
todos os lugares em que passei é que essas pessoas estavam levando uma dieta
equivocada.
Alguns por acharem legumes e verduras ruins, outros por
considerarem caros demais, outros por falta de paciência ou tempo de preparar a
comida saudável... Mas o triste fato é que a doença também pode vir pela boca.
Felizmente, essa realidade pode ser mudada. Basta querer, fazer boas escolhas e
se empenhar. Cuide da sua alimentação agora e conte depois quais doenças você
não teve.
*** Cid Pitombo é médico e pesquisador na área de obesidade
com atuação no Rio de Janeiro.
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