terça-feira, 28 de maio de 2019

O QUE SEUS DESEJOS ALIMENTARES DIZEM SOBRE SUAS EMOÇÕES...


FONTE: *** Simone Cunha, Colaboração para UOL VivaBem,https://vivabem.uol.com.br

     

Você já se pegou no final do dia com aquela fome que só é saciada com chocolate? Quem nunca! No entanto, essa vontade específica por determinados alimentos dificilmente é uma necessidade física por um alimento, e normalmente fala muito mais sobre o seu emocional do que sobre seu corpo.

"É o 'comer emocional', que se refere a um comportamento de buscar a comida como estratégia de enfrentamento de emoções, especialmente aquelas consideradas mais difíceis ou negativas, como raiva, frustração, tristeza, estresse, tédio, ansiedade", explica a psicóloga Rogéria Taragano, mestre pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e colaboradora no Programa de Transtornos Alimentares do HC (Hospital das Clínicas).

O que sua fome diz sobre aquele momento?
Em geral, o impulso do comer emocional ocorre no automático e a pessoa nem se dá conta de tudo o que se passou até dar a primeira mordida. Por isso, é fundamental identificar os pensamentos, sentimentos e os gatilhos que levam a esse comer emocional e qual o papel que a comida está exercendo nesse momento.

É diferente o ato de usar a comida como escape em um dia estressante esporadicamente do que usar os alimentos com frequência como forma de lidar com as emoções. "Tem um pesquisador que afirma que 'somos todos, em graus diversos, comedores emocionais'. O que até certo ponto não é nenhum problema. Mas quando comemos, com muita frequência, por questões emocionais aumenta muito a chance de comermos em demasia e com pior qualidade", completa Taragano.

Portanto, muitos impulsos fortes para comer (sem o roncar de estômago tipico da fome biológica) podem sinalizar a necessidade de avaliarmos como estamos e o que estamos sentindo. Questione: o desconforto é físico ou é um incomodo causado por alguma emoção a qual está indevidamente chamada de fome?

É importante reconhecer, nomear e aceitar uma emoção. Não precisamos e não devemos negá-la, pois dessa forma, podemos buscar alívio em outras possibilidades, sem ser a comida, como uma caminhada, leitura, música, brincar com um animal, ligar para um amigo. Se a pessoa está triste, é melhor chorar, conversar; se está cansada, melhor dormir, descansar, fazer uma pausa.

Fome emocional x fome física.
A melhor forma de manter uma comunicação saudável com seus sentimentos é saber diferenciar a fome biológica da fome emocional. A fome biológica faz com que estômago emite alguns sinais e sons, a pessoa se sente com baixa de energia, começam a surgir alternativas de comida e a fome vai crescendo gradativamente. Após a refeição, vem a sensação de satisfação e saciedade.

Já a fome emocional traz sensações bem diferentes, como se aquela necessidade tivesse que ser atendida imediatamente, normalmente envolvendo um desejo por um alimento específico, sendo que ela não é saciada mesmo quando o estômago já está cheio. Entenda melhor quais são os diferentes tipos de fome.

Por que desejamos determinados alimentos?
Normalmente a vontade por doces, salgados e etc. não tem necessariamente a ver com a falta de algum nutriente, mas sim com a restrição: com a importância extrema dada ao corpo magro e às dietas, mantemos uma relação de conflito com o alimento, em especial, os mais calóricos, gordurosos e gostosos. Eles entraram numa lista proibitiva que, se for quebrada, gera culpa e arrependimento.
Além disso, muitas vezes esses alimentos estimulam mecanismos de recompensa do nosso cérebro, com liberação de serotonina e outros neurotransmissores que trazem prazer.

De qualquer modo, a negação pode intensificar o desejo recorrente. Tais restrições, em longo prazo, podem contribuir para que a pessoa perca a conexão com os sinais do corpo, desaprendendo o quanto de fato o organismo precisa em termos de quantidades de alimentos para ficar em equilíbrio, sem sacrifícios. Portanto, prestar atenção aos seus desejos, sem neuras, é um passo importante.

*** Fontes: Rogéria Taragano, psicóloga, mestre pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e colaboradora no Programa de Transtornos Alimentares do HC (Hospital das Clínicas); Weruska Barrios, nutricionista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo; com Naiara Belmont, nutricionista com foco em Comportamento Alimentar.

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