sexta-feira, 13 de setembro de 2019

BAHIA REDUZ CASOS DE HANSENÍASE...


FONTE: Poliana Antunes,, Salvador, https://www.trbn.com.br

De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a doença tem capacidade de infectar grande número de indivíduos, e atinge principalmente a pele e os nervos periféricos.

        

A Hanseníase, conhecida antigamente como Lepra, é uma doença crônica, transmissível, de notificação compulsória e investigação obrigatória em todo território nacional. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a doença tem capacidade de infectar grande número de indivíduos, e atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Os dados mostram que, de janeiro a julho deste ano, foram 858 casos diagnosticados.

O levantamento da Secretaria mostra, ainda, que durante todo o ano de 2018, foram 2.119 pacientes com a doença, sendo que Salvador liderou estes números com 255 casos, em segundo lugar ficou a cidade de Juazeiro com 133 e em terceiro, a cidade de Barreiras com 93 notificações da doença. “Lembrando que, a doença ocorre em todas as regiões da Bahia, mas algumas apresentam áreas de concentração de casos, principalmente o Norte, Oeste e Extremo Sul”, ressalta.

Ainda segundo a Sesab, no Estado, no período de 2008 a 2018 foram notificados um total de 27.311 casos, destes 1.997 em crianças e adolescentes até 14 anos. Em 2017 foram registrados 2.209 casos novos da doença, destes 148 em crianças menores de 15 anos e 2018, foram notificados 1.997 casos novos, sendo que destes, 115 foram em crianças e adolescentes.

“Destaca-se que, os homens na faixa etária de 20 a 49 anos e acima de 60 anos tem alto risco para a hanseníase, e esta última faixa etária é também o maior grupo acometido pelas incapacidades físicas causadas pela doença, portanto, deve ser considerada como prioritária”, ressalta a Secretaria.

Segundo a Sesab, mesmo com a redução de 24,8% entre 2008 e 2017 no número de casos da doença, de acordo aos parâmetros oficiais, a Bahia ainda é considerada com alta endemicidade para a hanseníase. “Por outro lado, o elevado coeficiente de detecção de hanseníase em crianças e adolescentes revela que ainda há um número grande de pessoas, provavelmente familiares, ainda não diagnosticados e sem tratamento, visto que o período de início do adoecimento pode variar entre 2 até 5 anos após o contágio”, explica.

A DOENÇA.
O Ministério da Saúde explica que, a hanseníase é transmitida pelas vias áreas superiores (tosse ou espirro), por meio do convívio próximo e prolongado com uma pessoa doente sem tratamento. Isto porque, a doença presenta longo período de incubação, ou seja, tempo em que os sinais e sintomas se manifestam desde a infecção. Geralmente, é em média de 2 a 7 anos. “Há referências com períodos mais curtos, de 7 meses, como também mais longos, de 10 anos”.

O Ministério informa que, a manifestação clínica da hanseníase em cada pessoa, é fundamental para determinar a classificação operacional da doença como Paucibacilar (poucos bacilos) ou Multibacilar (muitos bacilos) e para selecionar o esquema de tratamento adequado para cada caso.

As complicações da hanseníase, muitas vezes, se confundem com a evolução do próprio quadro clínico da doença. Muitas dependem da resposta imune dos indivíduos acometidos, outras estão relacionadas com a presença do M. leprae nos tecidos e, por fim, algumas das complicações decorrem das lesões neurais características da hanseníase.

A recomendação da Sesab é que, todo indivíduo deve fazer seu auto-exame na busca de alterações de pele (manchas, placas ou nódulos), sensibilidade diminuída ou aumentada (dormência, queimação, anestesia), diminuição de força muscular nas mãos e pés, áreas da pele sem pelos ou que não produzem suor. “Diante de um destes sintomas, deve procurar a unidade de saúde próxima de sua residência para avaliação do profissional de saúde. Médicos e enfermeiros das unidades básicas estão capacitados a identificarem os casos de hanseníase”, recomenda.

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e acompanhamento da doença em unidades básicas de saúde e em referências. O tratamento da doença é realizado com a Poliquimioterapia (PQT), uma associação de antibimicrobianos, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Essa associação diminui a resistência medicamentosa do bacilo, que ocorre com frequência quando se utiliza apenas um medicamento, o que acaba impossibilitando a cura da doença.

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