De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a doença
tem capacidade de infectar grande número de indivíduos, e atinge principalmente
a pele e os nervos periféricos.
A Hanseníase, conhecida antigamente como Lepra, é uma doença crônica,
transmissível, de notificação compulsória e investigação obrigatória em todo
território nacional. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia
(Sesab), a doença tem capacidade de infectar grande número de indivíduos, e
atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Os dados mostram que, de
janeiro a julho deste ano, foram 858 casos diagnosticados.
O levantamento da Secretaria mostra, ainda, que durante todo o ano de
2018, foram 2.119 pacientes com a doença, sendo que Salvador liderou estes
números com 255 casos, em segundo lugar ficou a cidade de Juazeiro com 133 e em
terceiro, a cidade de Barreiras com 93 notificações da doença. “Lembrando que,
a doença ocorre em todas as regiões da Bahia, mas algumas apresentam áreas de
concentração de casos, principalmente o Norte, Oeste e Extremo Sul”, ressalta.
Ainda segundo a Sesab, no Estado, no período de 2008 a 2018 foram
notificados um total de 27.311 casos, destes 1.997 em crianças e adolescentes
até 14 anos. Em 2017 foram registrados 2.209 casos novos da doença, destes 148
em crianças menores de 15 anos e 2018, foram notificados 1.997 casos novos,
sendo que destes, 115 foram em crianças e adolescentes.
“Destaca-se que, os homens na faixa etária de 20 a 49 anos e acima de 60
anos tem alto risco para a hanseníase, e esta última faixa etária é também o
maior grupo acometido pelas incapacidades físicas causadas pela doença,
portanto, deve ser considerada como prioritária”, ressalta a Secretaria.
Segundo a Sesab, mesmo com a redução de 24,8% entre 2008 e 2017 no número
de casos da doença, de acordo aos parâmetros oficiais, a Bahia ainda é
considerada com alta endemicidade para a hanseníase. “Por outro lado, o elevado
coeficiente de detecção de hanseníase em crianças e adolescentes revela que
ainda há um número grande de pessoas, provavelmente familiares, ainda não diagnosticados
e sem tratamento, visto que o período de início do adoecimento pode variar
entre 2 até 5 anos após o contágio”, explica.
A DOENÇA.
O Ministério da Saúde explica que, a hanseníase é transmitida pelas vias
áreas superiores (tosse ou espirro), por meio do convívio próximo e prolongado
com uma pessoa doente sem tratamento. Isto porque, a doença presenta longo
período de incubação, ou seja, tempo em que os sinais e sintomas se manifestam
desde a infecção. Geralmente, é em média de 2 a 7 anos. “Há referências com
períodos mais curtos, de 7 meses, como também mais longos, de 10 anos”.
O Ministério informa que, a manifestação clínica da hanseníase em cada
pessoa, é fundamental para determinar a classificação operacional da doença
como Paucibacilar (poucos bacilos) ou Multibacilar (muitos bacilos) e para
selecionar o esquema de tratamento adequado para cada caso.
As complicações da hanseníase, muitas vezes, se confundem com a evolução
do próprio quadro clínico da doença. Muitas dependem da resposta imune dos
indivíduos acometidos, outras estão relacionadas com a presença do M. leprae
nos tecidos e, por fim, algumas das complicações decorrem das lesões neurais
características da hanseníase.
A recomendação da Sesab é que, todo indivíduo deve fazer seu auto-exame
na busca de alterações de pele (manchas, placas ou nódulos), sensibilidade
diminuída ou aumentada (dormência, queimação, anestesia), diminuição de força
muscular nas mãos e pés, áreas da pele sem pelos ou que não produzem suor.
“Diante de um destes sintomas, deve procurar a unidade de saúde próxima de sua
residência para avaliação do profissional de saúde. Médicos e enfermeiros das
unidades básicas estão capacitados a identificarem os casos de hanseníase”,
recomenda.
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e
acompanhamento da doença em unidades básicas de saúde e em referências. O
tratamento da doença é realizado com a Poliquimioterapia (PQT), uma associação
de antibimicrobianos, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Essa
associação diminui a resistência medicamentosa do bacilo, que ocorre com
frequência quando se utiliza apenas um medicamento, o que acaba
impossibilitando a cura da doença.


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