Hoje é o Dia Mundial de
Prevenção do Suicídio, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e não dá
para deixar de falar do tema, já que nove em cada dez mortes poderiam ser
evitadas. Uma das formas de colaborar para a prevenção é combater o
preconceito. Segundo uma pesquisa recente, publicada na revista médica The
Lancet Child & Adolescent Health, jovens que não se identificam como
heterossexuais são três vezes mais propensos a sintomas depressivos e
automutilação.
É fundamental que esses
indivíduos sejam acolhidos ao buscar ajuda, mas também é importante que esse
auxílio seja oferecido com base em evidências científicas. O Jama
Psychiatry trouxe, na quarta-feira, um estudo que chama atenção para
o risco das chamadas “terapias de conversão” para a saúde mental de indivíduos
transgênero, ou seja, pessoas que se identificam com um gênero diferente
daquele atribuído no momento do nascimento.
O trabalho contou com
27.715 adultos. Entre os entrevistados, 42,8% receberam sexo masculino no
nascimento, quase três quartos eram brancos e a maioria tinha entre 25 e 44
anos. Foram levadas em conta variáveis como questões socioeconômicas, etnia,
idade, apoio familiar, status de relacionamento e renda.
Os indivíduos que
relataram ter sido submetidos a esforços de conversão, seja por autoridades
religiosas ou psicólogos, foram mais propensos a demonstrar sofrimento
psicológico e a tentar suicídio. A associação foi ainda mais forte quando as
tentativas tinham ocorrido antes dos 10 anos de idade.
Segundo os
pesquisadores, do Massachusetts General Hospital de Boston, nos EUA, entre os
participantes que discutiram o assunto com um profissional, quase um em cada
cinco relatou que os encontros envolviam esforços para torná-los cisgêneros,
quer dizer, fazer com que se identificassem com o gênero atribuído a eles ao
nascer.
Vale frisar que o
impacto dessas tentativas de conversão foi observado durante a vida toda do
indivíduo. Por isso os autores do estudo esperam que os dados inspirem
legisladores a proibir essas práticas, já contestadas há muito tempo pela
Associação Americana de Psiquiatria (APA). Atualmente, 14 Estados
norte-americanos mantêm a proibição.
Diante dos últimos
acontecimentos no Brasil, como a caça HQs com beijo gay na Bienal do Rio, vale
insistir que ser gay, lésbica ou transgênero não é doença, e portanto não
precisa de “tratamento”. O preconceito, isso sim, é o que faz muita gente
adoecer.


Nenhum comentário:
Postar um comentário