FONTE: *** Daniel Navas, Colaboração para o VivaBem, https://www.uol.com.br
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Resumo da
notícia
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As
doenças urológicas afetam os órgãos dos sistemas reprodutivo e urinário
masculino
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O
câncer de próstata geralmente é o problema do tipo mais conhecido, porém, há
outros que exigem atenção
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Muitas
dessas doenças geram dificuldade ao urinar e, quanto antes forem detectadas,
mais fácil tende a ser o tratamento
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Quando falamos em
"doenças de homem", é comum que o câncer
de próstata seja o primeiro problema a aparecer na
mente. E não é por menos, afinal, a cada ano cerca de 68 mil indivíduos
descobrem ter esse tipo de tumor, que é o segundo mais frequente na população
masculina, atrás apenas do câncer
de pele, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer).
Mas, obviamente, o
câncer não é o único problema que atinge a próstata e outros órgãos dos
sistemas reprodutivo e urinário masculino —que estão todos aí, juntos e
misturados na parte de baixo do seu corpo. A seguir, apresentamos quatro
doenças urológicas não tão conhecidas por muitas pessoas para reforçar a
importância dos cuidados com a saúde do homem e da consulta regular (ao menos
uma vez por anos) com o urologista, especialmente após os 40 anos, pois quanto
antes esses problemas forem identificados, mais fácil tende a ser o tratamento.
1.
Hiperplasia benigna da próstata (HPB).
É o aumento da próstata
devido à ação da testosterona, que atinge principalmente homens a partir dos 45
anos. O problema pode causar obstrução parcial ou total da uretra, prejudicando
a vida sexual e também o dia a dia da pessoa. O indivíduo pode apresentar
dificuldades para urinar —jato fraco de xixi, necessidade de fazer força para
urinar ou terminar a micção —, aumento do tempo para esvaziar a bexiga,
sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, necessidade de ir várias vezes
ao banheiro para fazer xixi, urgência urinária (necessidade de urinar para não
ter o risco de fazer nas roupas) e necessidade de levantar à noite para a
micção. Alguns pacientes chegam até sentir dor ou desconforto na hora do xixi.
Além do avanço da
idade, outros fatores que influenciam o desenvolvimento da hiperplasia benigna
da próstata são diabetes,
hipertensão,
obesidade,
baixo nível de HDL (o popular colesterol bom), inflamação na próstata,
sedentarismo e genética.
O diagnóstico
normalmente é feito pela história clínica do paciente e outros exames, como o
toque retal e a ultrassonografia da próstata. Para o tratamento da hiperplasia
benigna da próstata são indicados medicamentos que atuam na dilatação e no
relaxamento da próstata, o que diminui a resistência ao fluxo de urina, além de
outros remédios que servem para diminuir o tamanho da glândula e aliviar o
esvaziamento da bexiga.
Caso os sintomas
permaneçam, os procedimentos cirúrgicos podem ser recomendados. Entre eles
estão a chamada ressecção transuretral da próstata (RTU). Nela, é feita uma
raspagem e retirada do miolo do órgão. O tratamento com laser também é muito
indicado pelos urologistas. Com a técnica, é possível alcançar uma desobstrução
grande da uretra e, comparado com a RTU, tem a vantagem de menor sangramento,
menor tempo de internação e menor necessidade de irrigação vesical. Já para as
glândulas que estiverem acima de 100 g, o tratamento mais recomendado é a
prostatectomia, uma cirurgia que retira parte da glândula.
A maioria dos
tratamentos para hiperplasia benigna da próstata, até mesmo os medicamentos,
leva o paciente a parar de ejacular, mas a função sexual continua. Ou seja, a
ereção e o orgasmo, só não tem mais a ejaculação.
2.
Prostatite.
Processo inflamatório
ou infeccioso na glândula prostática, que interfere no funcionamento do órgão,
na liberação do PSA (antígeno prostático específico) e impacta no funcionamento
do trato urinário, repercutindo na qualidade da micção.
Normalmente, essa
doença atinge os homens na faixa dos 20 aos 40 anos e também depois dos 60
anos, que tenham a imunidade baixa. Existem vários tipos de prostatites, mas as
mais comuns são: aguda e crônica. A primeira é causada por bactérias e
frequentemente está relacionada à infecção
urinária, isso porque o xixi passa no meio da próstata,
então, a infecção da urina pode levar o mesmo problema na glândula. Além disso,
em situações em que ocorre a manipulação da próstata, por conta da biópsia, por
exemplo, pode ocorrer a doença.
Os indícios da
prostatite aguda são: febre alta, mal-estar geral, calafrios, dores nas costas,
nos músculos, nas articulações e no períneo (região que fica entre o ânus e o
escroto). Já os sintomas urinários são dor ao urinar, necessidade frequente de
fazer xixi durante o dia e a noite e urgência miccional. Há também uma
dificuldade em esvaziar completamente a bexiga. O tratamento é feito com
antibióticos e geralmente dura, pelo menos, 14 dias.
Já a prostatite crônica
é uma doença que pode ter causa bacteriana ou por infecção de micro-organismos
e permanecer no corpo por meses e até anos. Normalmente, tem como sintomas uma
dor ou desconforto na região pélvica, que é persistente ou recorrente e pode ou
não estar associada com sintomas urinários e sexuais. Outros sinais desse tipo
da doença é a dor na região do períneo, do abdome inferior, nos testículos e no
pênis, principalmente durante ou após a ejaculação. Pode ter sintomas
obstrutivos e irritativos e eventualmente sangramento no sêmen e disfunção
sexual. O tratamento da prostatite crônica leva mais tempo, com duração de três
meses ou mais com o uso de antibióticos.
3.
Bexiga hiperativa.
A doença é
caracterizada por problemas de micção característicos, como a urgência, muitas
vezes súbita, em fazer xixi. Geralmente, o sintoma é acompanhado do aumento na
frequência de idas ao banheiro, inclusive durante à noite.
Homens a partir dos 50
anos já podem desenvolver a bexiga hiperativa, mas ela é mais comum depois dos
75 anos, pois a partir dessa idade ocorrem mudanças fisiológicas associadas ao
envelhecimento, como a diminuição da capacidade da bexiga em segurar a urina e
o enfraquecimento muscular na região pélvica.
Na hora de realizar o
diagnóstico da doença, o urologista leva em consideração se o paciente
apresenta os sintomas mencionados, além de prescrever exame de urina e
ultrassom das vias urinárias para descartar outras condições. O tratamento
inclui fisioterapia para fortalecer a região pélvica e medicamentos. Nos casos
mais intensos, pode-se indicar o uso de toxina botulínica na bexiga ou até
mesmo o implante de um neuromodulador (dispositivo semelhante a um marca-passo
que vai controlar o funcionamento da bexiga).
4.
Estenoses de uretra.
As uretrites (infecções
da uretra) —que geralmente decorrem de doenças como tuberculose, do uso de
sonda ou de manipulações cirúrgicas da uretra — podem causar cicatrizes no
canal por onde passa a urina e o sêmen. Então, esse tecido fibroso acaba por
entupir de forma parcial ou totalmente a uretra, gerando as chamadas estenoses.
Como resultado dessa
doença surgem os problemas de micção. Entre eles, o fluxo reduzido de urina é o
primeiro sintoma. Depois, aparecem a dificuldade em fazer xixi (como o jato
duplo), o gotejamento de urina após a micção, a necessidade de urinar mais
vezes que o habitual, vontade maior de ir ao banheiro durante à noite, a
ardência no momento da micção e, em alguns casos, incontinência urinária.
O diagnóstico da doença
se dá pelo histórico do paciente, mas também serão necessários exames
laboratoriais para descartar qualquer outro tipo de enfermidade. O principal
teste realizado é a uretrocistografia miccional, na qual se injeta contraste na
uretra até a bexiga e, com a ajuda do raio-x, é possível visualizar todo o
trajeto dessa via. Outros exames podem ser realizados, como a endoscopia da
uretra e a ressonância magnética.
O tratamento depende da
extensão do estreitamento na uretra. É possível que o urologista indique uma
uretrotomia interna, na qual, com a ajuda de um endoscópico, se faz um corte no
ponto obstruído para abri-lo. Também podem ser determinadas as chamadas
uretroplastias, que são técnicas diferentes de plástica do canal uretral, que
vão depender não só da extensão, como também da localização da lesão.
*** Fontes: Alberto
Antunes, professor de urologia da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo) e chefe do setor de próstata no HC (Hospital das Clínicas), em
São Paulo; Arnaldo Fazoli, urologista do ICESP (Instituto do Câncer do Estado
de São Paulo) e fellowship em cirurgia laparoscópica e robótica pelo Hospital
Clínic de Barcelona; Carlos Sacomani, urologista e coordenador geral do
departamento de disfunções miccionais da SBU (Sociedade Brasileira de
Urologia); Francisco Cesar Carnevale, professor da FMUSP e chefe do serviço de
radiologia vascular Intervencionista do HC (Hospital das Clínicas) e do
Hospital Sírio Libanês, ambos em São Paulo; José Genilson Alves Ribeiro,
professor de urologia da Faculdade de Medicina da UFF (Universidade Federal
Fluminense); Rafaella Eliria, médica e mestre em neurociências pela UNIRIO
(Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro); Ricardo Vita, urologista e
coordenador da área de hiperplasia benigna da próstata da SBU e Stenio Zequi,
cirurgião oncologista e head do departamento de cirurgia urológica do
A.C.Camargo Câncer Center, em São Paulo.

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