O dado apresentado no
título é impressionante, porém, quando olhamos para os transtornos mentais de
um modo geral, a situação é ainda mais delicada. Das 209.8 milhões de pessoas
que vivem no Brasil, 70 milhões têm problemas de saúde mental, de
acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Esses dados foram
apresentados no fórum A Hora do Cérebro, que aconteceu nesta
quarta-feira (16), no auditório do Hospital Sírio-Libanês, e contou
com a parceria de CLAUDIA, SAÚDE e VOCÊ S/A. A inciativa levantou
pontos que você provavelmente já pensou: Como manter o equilíbrio na rotina
profissional e lidar de maneira saudável com a tecnologia daqui para frente?
Para ter uma noção mais
detalhada desses números, a São Paulo Mega City apresentou seu
estudo no evento em que mostra que 30% desses diagnósticos são considerados
graves, ou seja, quando apresentam sinais como: dependência de álcool ou droga,
tentativa de suicídio e prejuízo no trabalho. Inclusive, a pesquisa revela que
os principais motivos para dias perdidos no trabalho são as dores crônicas e
transtornos de humor e ansiedade.
Impacto da tecnologia
no bem-estar mental foi o tema da primeira mesa do fórum: O bem-estar
da mente de hoje para o futuro. Do divertimento a dependência tecnológica,
mediada por Diogo Sponchiato, redator-chefe de SAÚDE,
que recebeu a Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva e o Dr.
Cristiano Nabuco.
Para a especialista, o
consumo de informação é determinante na cultura do medo. “O cérebro não
distingui o real do virtual. Ver notícia ruim o dia inteiro influencia. A
repetição virtual causa o mesmo estrago do que vivenciar uma situação
traumatizante”, comenta a Dra. Ana Beatriz. “Cuide dos
conteúdos que você está dando para o seu cérebro. Precisamos também estimular a
gentileza, empatia, já que os fatos preocupantes tendem a grudar mais rápido no
cérebro”.
Já o psicólogo Cristiano
Nabuco explica a questão mercadológica: “O uso da tecnologia que
estamos fazendo apresenta, sim, um efeito colateral. A cada 24 horas, as
empresas alteram os softwares para ficarem mais atrativos para os usuários. Não
temos tempos de nos preparamos. Princípios de psicologia são usados para deixar
os aplicativos cada vez mais viciantes”. O especialista também alerta para o
perigo desses recursos às crianças, principalmente com menos de dois anos de
idade.
Lidar com a tecnologia
realmente pode gerar estresse. Mas com tanta oferta de facilidade, por que isso
acontece? Para Fábio Toreta, superintendente de Comunicação
da Sabesp, o problema está no número de atividades realizadas
durante o dia. “A multitarefa faz com que a gente não esteja presente onde
realmente estamos. Então, essa globalização que vemos através tecnologia muitas
vezes leva ao estresse. Por exemplo, eu estou aqui, mas sei que meu telefone
está tocando e tem e-mail chegando”, comenta ele, que foi um dos participantes
da mesa mediada por Eliza Tozzi, editora-chefe da VOCÊ
S/A e VOCÊ RH.
“80% das pessoas não
estão preparadas para as transformações digitais e de negócios, o que gera uma
angústia. Por isso, a educação é tão importante nesse cenário. Se você não
entende o que está acontecendo no mundo hoje, como vai se conhecer, onde você
vai saber se colocar”. Essa é a constatação da professora e Influenciadora
Digital Martha Gabriel sobre a relação dos profissionais com a
tecnologia no ambiente de trabalho.
Mediada por Guta
Nascimento, diretora de CLAUDIA, a mesa que questionava como as
empresas podem gerar benefícios sustentáveis para os negócios e a saúde dos
trabalhadores, ainda contou com o médico Maciel Filho, coordenador
de Saúde e Segurança do Grupo Porto Seguro. O profissional revelou
que na empresa funcionários são convidados a responder um questionário sobre
saúde mental durante o exame periódico. Para o médico, conquistar a confiança
do colaborador é o maior desafio. “Qual o grande medo dele? O questionário ser
usado contra ele. Mas só quem participa do programa tem acesso às respostas.
Entendemos que ao longo dos anos, as pessoas vão responder de uma forma cada
vez mais sincera”, explica.
A representante
do Google, Nathalia Iervolino, compartilhou na mesa
como a instituição fomenta uma mudança comportamental entre os funcionários.
“Cultura é tudo. Temos treinamentos para notar práticas ruins que cometemos sem
perceber e somos estimulados a falar para o outro se determinado comentário foi
preconceituoso. Ter um sistema de denúncia também é essencial”. Além disso,
Natlhalia reforça a importância de normalizar a saúde mental como a saúde
física. “É preciso quebrar uma barreira consigo mesmo e a da negação do
problema. Depois, contar com um ambiente acolhedor para falar, principalmente
com as lideranças”, finaliza.


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