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Resumo da
notícia
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Diagnósticos
precoces e mais específicos para o Alzheimer são considerados grandes
desafios da comunidade científica
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Três
novos exames atualmente em estudo poderiam diagnosticar a doença com
antecedência e por custos menores
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No
entanto, mesmo que o quadro seja diagnosticado cedo, ainda não há
medicamentos para tratá-lo em estágio inicial
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Quem conhece alguém que
sofre de Alzheimer
sabe que a doença não é nada fácil: os pacientes têm dificuldade para lembrar
acontecimentos recentes e manter a atenção, repetem as mesmas frases e
perguntas e, em casos mais graves, se tornam incapazes de realizar atividades
básicas, como tomar banho e até se alimentarem sozinhos.
Hoje, um dos grandes
desafios para a comunidade científica é conseguir oferecer diagnósticos mais
precoces e precisos —já que cada caso apresenta características singulares — e
drogas que possam combater o avanço da doença.
Nenhum dos testes
atuais disponíveis no mercado, que incluem avaliações de comportamento e
psiquiátrica, além de exames de sangue e imagem, conseguem prever o quadro cedo
ou com exatidão. Por isso, os pesquisadores buscam desenvolver novas técnicas
apostando principalmente nos biomarcadores, que funcionam como indicadores da
possibilidade do surgimento da doença.
Dentre os biomarcadores
investigados, o principal foco é identificar mudanças de duas proteínas
associadas a alterações comuns no cérebro de pacientes: a beta-amiloide, que
começa a se acumular e, junto com células mortas, forma depósitos entre os
neurônios conhecidos como placas senis) e a TAU, que forma emaranhados
neurofibrilares dentro das células nervosas.
"No entanto, já
existem pesquisas com outras abordagens. Temos hoje cerca de 132 moléculas
—sendo 96 modificadoras da doença em estudo para tratamento", aponta
Rodrigo Schultz, neurologista e presidente da ABRAz (Associação Brasileira de
Alzheimer).
Conheça
três novos testes que estão em estudo.
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Teste de saliva.
De acordo com a pesquisa de Gustavo Alves
Andrade dos Santos, doutor em biotecnologia que estuda os biomarcadores
salivares para detecção de Alzheimer desde 2013 e atualmente em seu
pós-doutorado na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), o
nível salivares de A-42 (um tipo proteína beta amiloide com 42 aminoácidos)
pode ser considerado um marcador potencial da doença, cooperando para a
exclusão de outros tipos de desordens degenerativas.
"Acreditamos que a
análise dos biomarcadores em testes de saliva possa ser utilizada como suporte
às avaliações comportamentais e com isso servir de modelo de diagnóstico para a
identificação de Alzheimer ainda em fase precoce", aponta.
Os testes são não
invasivos e a análise posterior é realizada pelo método de ELISA, o mesmo usado
para detecção de HIV,
sendo este altamente sensível. "Esperamos um modelo pronto até metade do
ano que vem, dependendo das situações avaliadas durante os testes e resultados.
Ainda não conseguimos prever quanto custará, mas sem dúvidas será barato",
explica o pesquisador.
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Exame de sangue.
Na análise, os médicos
podem saber o nível de beta-amiloide no sangue e, se a taxa não estiver normal,
prever se a se a proteína se acumulou no cérebro —uma das principais
características da doença.
De acordo com os
responsáveis por uma pesquisa publicada no periódico
científico Neurology, ao avaliar o nível dessa proteína no sangue juntamente
com outros dois principais fatores de risco do Alzheimer (a idade e a presença
da variante genética APOE4), a precisão dos testes chega a 94%, sendo mais
barato e mais simples do que uma tomografia computadorizada de PET, o exame que
é mais usado atualmente para medir a quantidade de beta-amiloide no cérebro.
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Teste de visão.
Em um estudo publicado no periódico
JAMA Ophthalmology, cientistas apontaram que com uma angiografia por tomografia
de coerência óptica (OCT), um exame de vista realizado em muitas clínicas, pode
ser possível identificar o Alzheimer em pessoas que ainda não apresentam
sintomas da doença.
O estudo foca no fato
de que pessoas com Alzheimer apresentam sinais de alteração no centro da retina
e no nervo óptico, conforme já pesquisas anteriores já apontaram.
"Todos nós temos
uma pequena área desprovida de vasos sanguíneos no centro de nossa retina.
Descobrimos que essa região cresceu significativamente nos 17 idosos com
Alzheimer pré-clínico [avaliados na pesquisa]", afirmou Paul A. Cibis, um
dos responsáveis pelo trabalho científico. A alteração no olho não foi
demonstrada nos 13 pacientes do estudo que não apresentaram nível elevado de
beta-amilóide ou TAU.
Drogas
para tratar a doença em estágio inicial ainda não existem.
Em teoria, esses três
novos testes ajudariam a iniciar o tratamento dos pacientes com Alzheimer antes
dos sintomas aparecerem. "É extremamente justificável e importante.
Começar a usar um medicamento nessa fase poderia regredir a doença e aumentar a
qualidade de vida dos pacientes, algo que para um quadro mais avançado talvez
já não funcione. O grande problema é que essa droga, para o tratamento precoce,
ainda não existe", explica o presidente da ABRAz (Associação Brasileira de
Alzheimer).
De acordo com o
neurologista, equipes de cientistas também estão trabalhando para criar novos
medicamentos. "Acreditamos que teremos, entre três e dez anos, novas boas
drogas. Por enquanto, a recomendação é que os pacientes mantenham hábitos
saudáveis", conclui.


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