Muita gente acredita
que as pessoas tendem a ser mais sinceras quando são pegas de surpresa, porque
mentir exige algum tempo para pensar. Mas um estudo sugere que isso nem sempre
é verdade. Quando precisam responder rápido, ou no impulso, é mais provável que
as pessoas verbalizem algo socialmente desejável em vez de serem honestas. Pelo
menos de acordo com experimentos realizados por um grupo de cientistas
cognitivos, aqueles que estudam capacidades mentais como foco, aprendizado e
memória.
Pedir para a pessoa
responder rápido e sem pensar é algo bastante comum em pesquisas na área de
comportamento e até em marketing. Mas uma equipe da Universidade da Califórnia,
nos EUA, decidiu investigar melhor essa estratégia. E a conclusão não é muito animadora
para quem já se baseou nela para obter resultados ou tomar decisões.
O grupo desenvolveu um
questionário com 10 perguntas tipo “sim ou não” que têm a ver com ética. Por
exemplo: “fico ressentido quando as coisas não acontecem do meu jeito”. Ou “não
importa com quem eu estou conversando, eu sempre presto atenção no que a pessoa
fala”. Os voluntários do estudo foram em divididos em dois grupos: um tinha
poucos segundos para responder, enquanto o segundo tinha mais de 11 segundos. O
primeiro teve mais propensão a dar respostas socialmente desejáveis que o
segundo.
No exercício seguinte,
os participantes tiveram que julgar determinados comportamentos como moralmente
bons ou maus, e também analisar a si próprias. Os tempos fornecidos para as
respostas também variaram. A ideia da equipe era identificar um viés, ou seja,
uma opinião inconsciente que é muito comum nas pessoas: elas acham que, no
fundo, são pessoas de bem. É aquela história: todo mundo se acha honesto, mas é
só ao recusar uma proposta de corrupção tentadora, sem pestanejar, é que alguém
vai ter certeza da própria virtude.
Na expectativa dos
cientistas, os participantes com menores níveis desse viés seriam menos
propensas a dar respostas socialmente desejáveis sob pressão. Ou melhor: quem
aceita que ninguém é bom ou mal, e sim uma mistura de virtudes e fraquezas, não
teria porque mentir para parecer correto, certo? Mas isso não foi confirmado no
teste. No fim, o que fez diferença foi a autoestima dos voluntários: aqueles
que pontuaram bem nesse aspecto tinham como padrão dar respostas socialmente
aceitáveis sempre. Já quem tinha autoestima mais baixa dava respostas
socialmente aceitáveis só sob pressão.
Após a análise dos
resultados, os cientistas perceberam que o padrão, quando as pessoas não têm
tempo para pensar direito, é tentar agradar. Mesmo que isso coloque em dúvida a
própria honestidade. Em artigo no periódico Psychological Science,
da Associação para a Ciência da Psicologia, os autores recomendam que
resultados de pesquisas baseadas no método “responda rápido” sejam
interpretados com mais cuidado a partir disso. Da próxima vez que você quiser
uma resposta sincera para uma questão delicada, talvez seja melhor conversar
com calma do que tentar apressar as coisas.


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