Ao contrário do
que se pensa, atletas e praticantes regulares de atividade física também podem
sofrer com trombose. Angiologista Dra. Aline Lamaita explicou as circunstâncias
que favorecem o aparecimento da condição nesse público.
A trombose venosa
profunda é uma condição caracterizada pelo desenvolvimento de um coágulo
sanguíneo no interior das veias das pernas
que impede a passagem do sangue e, em casos mais graves, pode se desprender da
parede da veia e correr pela circulação até chegar ao pulmão, causando uma embolia
pulmonar que pode resultar até mesmo em morte súbita.
De acordo com a
angiologista Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e
Cirurgia Vascular, um dos principais cuidados que auxilia na prevenção desses
coágulos sanguíneos é a prática regular de atividade
física. Isso não quer dizer, porém, que atletas amadores e
até mesmo profissionais estejam livres do risco de desenvolverem trombose. “Na
verdade, atletas, principalmente os profissionais, possuem um risco maior de
desenvolverem a doença devido a fatores como fraturas e lesões causadas pela
prática esportiva e longas viagens de avião para participar de campeonatos
internacionais”, alerta a médica.
Em 2011, por exemplo, a
tenista e medalhista olímpica Serena Williams, considerada uma das maiores e
melhores atletas de todos os tempos, teve complicações de um coagulo sanguíneo
após sofrer uma lesão no pé. O resultado foi uma embolia pulmonar e a atleta
teve que passar por uma cirurgia para extração do coágulo presente nos pulmões.
“Essa situação pode acometer indivíduos que sofreram fraturas e lesões tanto
por conta do impacto nos vasos sanguíneos causado pelo acidente quanto pelo
alto risco do problema em pacientes hospitalizados, que passaram por cirurgias
ou que estão em longos períodos de imobilidade devido a uma deficiência na
circulação sanguínea”, explica a especialista. “As longas viagens
frequentemente realizadas por atletas também contribuem para o problema já que,
durante o trajeto, as pernas tendem a permanecer na mesma posição por muito
tempo, o que faz com que o sangue não circule corretamente, pois não há
contração dos músculos
da panturrilha. Esta circulação incorreta faz com que
o sangue migre das veias para pequenos espaços nos tecidos ao redor,
ocasionando inchaço e, consequentemente, coágulos sanguíneos, trombose ou até
mesmo embolia pulmonar.”
Embora Serena Williams
tenha se recuperado do quadro, essa não é uma realidade para todos que sofrem
com trombose. Na verdade, 1 em cada 4 pessoas morrem de complicações
relacionadas ao desenvolvimento de coágulos sanguíneos. Por isso, é importante
investir em cuidados que visem a prevenção de coágulos sanguíneos, como
utilizar meias esportivas de compressão, levantar-se e exercitar as pernas
durante voos longos e beber muita água. Além disso, a Dra Aline ressalta que é
importante ficar atento aos sinais da trombose, que, além de dor na perna,
principalmente na região da panturrilha, também incluem inchaço persistente,
calor, sensibilidade e vermelhidão. Mudança de cor na região e dificuldade de
locomoção também podem indicar a presença de um coágulo sanguíneo nas pernas.
“E a atenção com a doença deve ser redobrada por aqueles atletas que possuem
outros fatores individuais que agravam o risco de trombose, como tabagismo, uso
de hormônios e pílulas anticoncepcionais, portadores de câncer e varizes, maior
predisposição a coagulação sanguínea e gestantes”, alerta.
Então, caso você note
tais sintomas, o mais importante é que você consulte um médico angiologista,
que poderá prescrever um tratamento individualizado para evitar que a doença
evolua para uma embolia pulmonar, que possui como sintomas dor no peito, tosse,
cansaço e falta inesperada de respiração. “Geralmente, o tratamento da doença
inclui o uso de medicamentos anticoagulantes, que vão ajudar na redução da
viscosidade do sangue e na dissolução do coágulo, impedindo assim que esse
cresça e avance para outras regiões e também evitando a ocorrência de novos
quadros de trombose. Porém, no caso de atletas, principalmente daqueles que
praticam esportes de contato, o retorno às atividades físicas e treinos deve
ser realizado apenas após liberação médica, já que alguns medicamentos desse
tipo, quando utilizados por atletas de certas modalidades, podem favorecer o
aparecimento de sangramentos e hemorragias durante a prática física que podem
oferecer risco à vida”, finaliza a Dra. Aline Lamaita.
*** FONTE: Dra.
Aline Lamaita.
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