O jornal francês
Aujourd'hui en France destaca hoje uma enquete realizada pelo coletivo
feminista francês Nous Toutes (Todas Nós, em francês) sobre a noção de
consentimento. A pesquisa revela que 9 entre 10 mulheres já tiveram alguma
relação "não desejada" com seus parceiros.
"Não se resume a
um simples sim, e ceder não quer dizer aceitar".
Para o jornal, é essa
noção de consentimento que permite diferenciar as relações íntimas livres e
elucidar as violências sexuais. Uma questão que ocupa ainda mais o debate
público com a publicação do livro "O Consentimento", em que a autora
Vanessa Springora conta como foi abusada na adolescência pelo romancista
Gabriel Matzneff e traz à tona a discussão sobre como a lei prevê o
consentimento sexual.
Sob o título "O
que querem as mulheres... realmente", o jornal fala da enquete criada nas
mídias sociais pelo coletivo feminista, logo após o lançamento do livro. A
pesquisa recebeu 100 mil respostas em apenas dez dias e 75% das participantes
tinham menos de 35 anos. Nove entre 10 mulheres declararam terem sido
pressionadas por um parceiro - marido ou caso eventual - para ter uma relação
sexual. Em 88% dos casos, a situação teria acontecido mais de uma vez.
O jornal lembra que a
pesquisa não é representativa de toda a sociedade e que as mulheres que
responderam provavelmente já se viram envolvidas neste tipo de situação. Apesar
disso, o jornal questiona se os dados podem traduzir a realidade.
Outro estudo, realizado
em 2018 pela revista Marie Claire, revelou na época que 62% das francesas já
tiveram a experiência de uma relação sexual não desejada.
"Dever
conjugal".
Quanto às mulheres
casadas, o "dever conjugal" ou se sentir na obrigação de dar prazer
aos maridos estão entre as razões para as relações mesmo contra a vontade.
Setenta por cento das mulheres responderam já terem tido relações sem vontade,
mesmo sem que o parceiro tenha pressionado, simplesmente por acreditarem ser
seu papel. Para dar prazer ao outro, para não ter que se justificar porque está
sem vontade ou porque já fazia muito tempo que não tinham relação estariam
entre os motivos.
Sobre a questão, a ONU
é categórica: "Em matéria de consentimento, não há fronteira que não seja
clara. E o consentimento exige entusiasmo por parte da mulher. Mais do que se deter
se recebeu um 'não', os homens devem estar atentos se há um 'sim' entusiasmado.
E conclui: um 'eu não sei' ou um silêncio não significam consentimento."


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