Em tese, pelo menos sob
o ponto de vista fisiológico, não tem problema algum em transar durante o
período menstrual. Tudo depende, obviamente, da intimidade e da escolha do
casal.
Entretanto, a presença
do fluxo exige alguns cuidados básicos para evitar perrengues que vão desde uma
gravidez não planejada até a contaminação por doenças.
1.
Existe a possibilidade, sim, de uma mulher menstruada engravidar.
O risco é bem baixo,
pois a ovulação teoricamente aconteceu 14 dias depois da última menstruação e o
fluxo segue o caminho inverso (de dentro para fora do corpo) daquele que os
espermatozoides precisam fazer para encontrar o óvulo (de fora para dentro).
Porém, o óvulo pode ficar armazenado no trajeto entre o ovário e o útero por
alguns dias —e como os espermatozoides também costumam permanecer alguns dias
nesse trajeto, há o risco de a mulher engravidar.
Ciclos irregulares,
ovulações que acontecem num prazo bem inferior a 14 dias e escapes de sangue
que são confundidos com o líquido menstrual também são situações propícias à
gestação.
2.
A libido feminina pode aumentar no período.
Ter ou não mais tesão
durante a menstruação depende de cada mulher. Em tese, a libido atinge o pico
durante a ovulação, mas o primeiro dia do ciclo (ou seja, o dia em que a
menstruação desce) também pode afetar positivamente o desejo. Os níveis de
estrogênio se elevam alguns dias após o início da menstruação e com isso sobem
também os de testosterona, hormônio responsável pela libido. A dificuldade de
engravidar nessa fase também pode funcionar como um gatilho positivo, para
algumas mulheres.
3.
Há maior risco de contrair doenças.
A menstruação faz com
que o colo do útero fique ligeiramente mais aberto. Os vasos sanguíneos do
endométrio também se dilatam, o que torna toda a área mais sensível a fungos,
bactérias e à contaminação por ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) como
os vírus HPV
e HIV,
hepatites
B e C, gonorreia
e clamídia. Por isso, é importante usar preservativo nas relações. Para quem
não se importa de praticar sexo oral na parceira menstruada, a camisinha
feminina é uma boa alternativa de proteção, já que o sangue é um canal de
transmissão de diversas enfermidades.
4.
Transar usando absorvente interno é perigoso.
Ele não ocupa a
totalidade do tubo vaginal e funciona como uma pequena "rolha".
Então, para o sexo com parceiros de pênis pequenos, a mulher pode não sentir
incômodo, principalmente porque a vagina é ampla. Porém, a movimentação típica
do sexo é capaz de empurrar o absorvente bem para o fundo da vagina, provocando
dor. A prática não é recomendada pelos ginecologistas por essa razão e por
favorecer infecções e corrimentos.
5.
O sexo alivia os sintomas menstruais.
As relações sexuais
liberam endorfinas e serotonina, substâncias produzidas pelo cérebro e que têm
ligação direta com o nosso prazer e bem-estar. Elas também têm uma ação
analgésica, ajudando a atenuar as cólicas e a melhorar o humor.
6.
No climatério, quando a menstruação fica irregular, transar menstruada sem
proteção pode acarretar uma gravidez.
Enquanto a mulher não
chegar à fase da menopausa, que sela a última menstruação da vida, ainda há
risco de engravidar, mesmo que baixo. Apenas depois que a mulher ficar um ano
inteiro sem nenhum sangramento, os médicos diagnosticam a chegada da menopausa.
O climatério é marcado por ovulação anômala, que nem sempre corresponde ao 14º
dia após o início do fluxo, por isso a mulher que atravessa essa etapa deve se
proteger para evitar uma gravidez indesejada.
7.
O sangue funciona como um lubrificante natural.
Sim, o fluxo pode
facilitar o deslize do pênis, mas por um curto período de tempo. Ao longo da
relação o sangue resseca e a chance de a mulher sentir dor e desconforto e até
sofrer fissuras vaginais é grande. O ideal é usar lubrificantes à base de água
vendidos em farmácia, que reduzem o atrito sem romper o látex do preservativo.
8.
O sexo pode influenciar na duração do período menstrual, encurtando-o.
Verdade! Isso ocorre
porque o orgasmo
provoca contrações uterinas, facilitando a saída do sangue e reduzindo a
duração da menstruação.
*** Fontes: Alexandre Pupo
Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo
(SP); Bárbara Murayama, ginecologista e diretora da Clínica Gergin Ginecologia
em São Paulo (SP) com MBA em gestão de saúde pela FGV (Fundação Getulio
Vargas); Mariana Rosario, ginecologista, obstetra e mastologista do Hospital
Israelita Albert Einstein, em São Paulo (SP) e Mauricio Abrão, ginecologista da
BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

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