Metro era
um cavalo de corridas e chegou a ser um dois mais velozes em pistas no Estado
americano de Nova York, até um problema de saúde acabar com sua carreira. Ele
teve sérias lesões nos joelhos. Em 2012, após meses de tratamento, exames
mostraram que as articulações iriam se fechar em dois anos.
Seus
donos, o artista plástico Ron Krajewski e sua mulher, Wendy, achavam que teriam
de sacrificá-lo. Eles tinham adotado o animal em 2009. Até então, era conhecido
como Metro Meteoro, o campeão de oito corridas que renderam US$ 300 mil (R$ 950
mil) em prêmios.
"Não
quis deixá-lo abandado no pasto. Fiquei pensando em como aproveitar o tempo que
nos restava", conta Ron. Ele notou que Metro gostava de balançar a cabeça
para chamar atenção e pegar objetos com a boca. Ron o ensinou a segurar um
pincel. O cavalo começou então a dar pinceladas em telas de quadros.
Ron achou
que os trabalhos do cavalo eram bons o suficiente para serem expostos em uma
galeria local em Gettysburg, no Estado da Pensilvânia, no Estados Unidos. Os
quatro primeiros foram vendidos em uma semana.
Seu
estilo foi comparado ao de Jackson Pollock, expoente do expressionismo
abstrato, famoso pelos quadros com tintas pingadas ou borrifadas. "As
pinceladas de Metro não se parecem com as de um humano. São grossas,
aleatórias, às vezes quebradas, deixando outras cores transparecerem. Tudo isso
faz a tela vibrar", diz Ron.
A
habilidade do cavalo foi parar no noticiário local e, depois, no nacional. Em
2014, havia uma lista de espera de 150 pessoas por suas obras. As vendas
ajudaram a bancar um tratamento experimental, que melhorou a condição de seus
joelhos, salvando sua vida.
Ron até
mesmo tentou levar seu outro cavalo pelo mesmo caminho dos pincéis e tintas,
mas este "simplesmente não está interessado". Hoje, ele e Metro
pintam juntos duas vezes por semana em um estúdio no estábulo da família.
Cabe a
Ron escolher as cores e aplicar a tinta no pincel antes de entregá-lo na boca
de Metro. Eles trabalham em três ou quatro telas ao mesmo tempo durante sessões
de 20 minutos. “Ele ama pintar. Não sei o quanto enxerga o que faz, porque
cavalos têm um ponto cego em frente ao nariz. Acho que ele gosta da sensação de
passar o pincel na tela.”
Hoje, o
preço das pinturas de Metro varia entre US$ 50 a US$ 500, de acordo com seu
tamanho. “Vendemos uma ou duas por semana.” Metade da renda vai para uma
organização de caridade que busca novos lares para cavalos de corrida
aposentados.
Aos 14
anos de idade, Metro ainda tem quase metade da vida pela frente – cavalos
costumam viver entre 25 e 30 anos. E não parece dar sinais de que abandonará
sua nova carreira, segundo Ron: “Há algo na pintura que realmente parece
despertar seu interesse. Acho que ele nunca vai se cansar de fazer isso”.


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