Crônica, inflamatória e
controlável. Essas são três características intrínsecas à asma,
leve e moderada, doença que exige do paciente e seus familiares autocuidado,
tratamento contínuo e estimulantes anti-inflamatórios. Além de precisarem ser
acompanhados pelo médico e associados a medicamentos corretos, esses pontos
acabam se encontrando em outro lugar comum: a refeição de cada dia. Pesquisas
do mundo todo associam a maior quantidade de vegetais e frutas ao melhor
bem-estar do paciente. Na contramão, relacionam ingestão de alimentos
processados, como embutidos, a inflamações, que, por sua vez, levam a mais
doenças inflamatórias. Sim, como a asma.
A dieta ideal é um mix
de vegetais, frutas, castanhas, cereais integrais e com moderado consumo de
proteína animal como carne ou lácteos, aponta Gabriel Rozin, médico clínico e
pneumologista e integrante do serviço de medicina preventiva e check up
do Hospital Israelita Albert Einstein.
“É a dieta mediterrânea mais clássica. Diferente do perfil alimentar ocidentalizado,
cheio de carnes e processados”, compara o especialista e membro do Colégio
Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.
No corpo, mais
vegetais, frutas e cereais integrais significa maior quantidade de componentes
anti-inflamatórios e antioxidantes. Na mesma linha, menos consumo da gorduras
saturadas encontradas nos alimentos processados como bolachas recheadas e
massas, auxiliam na menor presença de fatores prejudiciais ao corpo. Logo,
contribuem para a menor inflamação das vias aéreas e, consequentemente, ajudam
a controlar a asma.
Baseada nessa hipótese,
uma pesquisa feita com crianças e pré-adolescentes no Canadá
apontou relação inversa entre mais vegetais e frequência de asmas: quanto maior
a ingestão de vegetais bem verdes, como brócolis e couve, e alaranjados, como
abóbora, menor a incidência de asma alérgica. Na Suíça,
outro estudo destacou que polifenóis, presentes na maçã, uva, manjericão e
gengibre, limitam a produção de muco nas vias aéreas e têm ação
broncodilatadora.
Segundo a Sociedade
Americana para Nutrição, uma dieta em que preponderam os nutrientes
antioxidantes consiste em cinco porções de vegetais e duas de frutas,
diariamente. Já um perfil alimentar com baixo índice de antioxidante equivale a
duas porções de vegetais e apenas uma de fruta por dia.
Como
os nutrientes agem?
As fibras presentes nos
alimentos bem verdes, castanha de coco e arroz vermelho reduzem as inflamações
por meio de substâncias naturais, como o sulforafano. Já os alimentos
alaranjados (laranja e cenoura) são ricos em carotenoides, que são
antioxidantes. Na prática, retardam o envelhecimento das células e ajudam na
prevenção de doenças crônicas.
É por isso que combinar
alimentos na dieta é importante, mais do que aumentar o consumo de um item
específico, eliminar radicalmente outro ou priorizar a ingestão de extratos com
nutrientes isolados, e não equilibrar a o perfil alimentar do dia a dia.
“Alimentação é um jogo de tira e põe”, lembra Rozin.
Se de um lado se reduz
a proteína animal, a fonte mais comum da ingestão proteica, é possível obtê-la
nas leguminosas como a quinoa, cujo paladar é parecido ao arroz. “Erroneamente
difundiu-se a informação de que vegetais não têm proteína. Isso não é verdade”,
comenta, ao citar também o alto teor proteico da ervilha partida.
Ter a alimentação como
aliada no tratamento de asma não exige uma reviravolta: o típico arroz, feijão
e salada do brasileiro já promove o ajuste alimentar e as ações
anti-inflamatórias que atuam sobre a asma. Mesmo os quadros mais graves da
doença, que podem ser acompanhados de obesidade e refluxo, são beneficiados
pela dieta. “Tratar parte de um quadro grave com alimentação é mais produtivo
do que adicionar outro medicamento na vida do paciente, aumentando a dose das
drogas e encarecendo o tratamento”, afirma Rozin.


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