Pessoas que precisam
tomar muitos medicamentos por dia devem conversar com seu médico para evitar
problemas.
Lembrar de tomar o
remédio no horário indicado pelo médico pode ser uma tarefa difícil para muitas
pessoas, especialmente para aquelas que têm a vida corrida. O que pouca gente
sabe é que o horário em que o medicamento é ingerido pode influenciar na eficácia
do tratamento.
De acordo com o
farmacêutico Vagner Miguel, da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais
(Anfarmag), o risco mais comum de tomar o remédio na hora errada é o efeito
positivo ser reduzido. “Dependendo do caso, pode acontecer de o organismo não
absorver tão bem as substâncias presentes no medicamento que são necessárias
para resolver algum problema de saúde. Embora não seja em todo tratamento que
exista um horário específico para ingerir um medicamento, é importante
consumi-lo nas horas indicadas pelo médico”, alerta.
Miguel acrescenta que é
importante tomar o remédio na hora adequada, pois o corpo precisa se adaptar
para produzir os efeitos esperados, principalmente no caso dos antibióticos.
“No caso de não tomar o
antibiótico no horário certo, o ideal é ingerir imediatamente, assim que
lembrar, pois o antibiótico fica concentrado na corrente sanguínea e vai
combatendo, aos poucos, as bactérias. Quanto mais se demora a tomar a próxima
dose, mais baixa fica a concentração da substância no sangue, já que o fígado
vai eliminando seu excesso. Com isso, corre-se o risco de a bactéria ficar mais
resistente. Se a indicação for tomar antibiótico de oito em oito horas e o
paciente se lembrou com atraso, deve-se fazer uso do medicamento assim que a
falha for notada e contar oito horas novamente a partir desse último horário”,
explica.
Para facilitar a vida
de quem precisa tomar muitos remédios por dia, como é o caso de alguns idosos e
de pessoas com doenças crônicas, o farmacêutico recomenda conversar com o
médico para verificar o que pode ser feito, uma vez que, além do esquecimento,
há o risco de confundir a dose, o horário e o modo correto de ingestão.
“Uma opção bastante
interessante é a combinação de uma ou mais substâncias em uma só fórmula,
reduzindo o número de tomadas ao longo do dia. Isso pode ser feito nas
farmácias de manipulação, que personalizam a medicação de cada paciente. A
decisão de combinar ou não diferentes substâncias, no entanto, só pode ser
tomada pelo profissional da saúde, que irá avaliar, além das condições clínicas
do paciente, um conjunto de diversos fatores, como horário em que o fármaco
deve ser ingerido, riscos de interação, riscos de efeitos colaterais e aspectos
farmacotécnicos”, afirma.
Interações.
Miguel também alerta
que alguns alimentos ou outras substâncias causam conflitos com medicamentos
ingeridos em horários próximos.
“Existem antibióticos
que podem ter a absorção diminuída se ingeridos junto com alimentos. Já outros
devem ser tomados em jejum, mas é preciso seguir essa regra quando o médico
orientar. Há antibióticos que devem ser ingeridos após as refeições para evitar
que causem dor de estômago como efeito colateral. Por isso, deve-se seguir à
risca as horas de intervalo indicadas pelo médico”, ensina.


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