Mandetta
teria sinalizado a Barroso que o ideal seria aguardar mais três ou quatro
semanas antes de decidir sobre um possível adiamento das eleições.
No dia 4 de outubro, os
brasileiros deverão ir às urnas para eleger 5.570 prefeitos e quase 57 mil vereadores
nas cidades do país. Agora, a data da frase anterior começa a parecer incerta:
com o avanço do número de casos do novo coronavírus no Brasil, políticos de
diferentes partidos começam a defender o adiamento do calendário eleitoral.
Na quinta-feira (19),
os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recusaram um primeiro pedido
deste tipo, para adiar um dos prazos da corrida eleitoral deste ano. Tal
mudança precisaria ser aprovada pelo Congresso Nacional, decidiram os
ministros.
No entanto, nos bastidores,
ministros do TSE já estudam a possibilidade de ter de adiar pelo menos parte do
cronograma do pleito, segundo apurou a BBC News Brasil.
Próximo presidente do
TSE, o ministro Luís Roberto Barroso teria perguntado ao ministro da Saúde,
Luiz Henrique Mandetta, sobre a necessidade de postergar a votação por conta da
disseminação do novo coronavírus.
Os dois conversaram
brevemente sobre o assunto na segunda-feira (16), quando Mandetta participou de
uma reunião sobre a pandemia no Supremo Tribunal Federal (STF).
Além dos ministros do
Supremo, também participaram do encontro os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).
Mandetta teria
sinalizado a Barroso que o ideal seria aguardar mais três ou quatro semanas antes
de decidir sobre um possível adiamento das eleições. Barroso assume a
presidência do TSE no fim de maio, e comandará a corte durante as eleições
deste ano.
Para especialistas
ouvidos pela BBC News Brasil, o cronograma das eleições envolve, já nos próximos
meses, uma série de trabalhos que mobilizam grande quantidade de servidores da
Justiça Eleitoral.
A manutenção do
calendário normal das eleições poderia colocar estes profissionais em risco,
alertam.
Segundo o ministro da
Saúde, a projeção atual é que a situação do país comece a se normalizar em
agosto ou setembro deste ano — número de casos deve parar de crescer apenas em
julho, disse Mandetta no começo desta semana.
A afirmação do ministro
é baseada na experiência de outros países que já passaram pelo surto de
SARS-CoV-2.
Nos últimos dias, o
número de casos de infecção pelo novo coronavírus têm crescido rapidamente no
país. O Brasil já tem 621 casos confirmados de contágio pelo novo coronavírus,
segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde.
A doença já estava
presente em 23 Estados brasileiros e no distrito federal, e sete pessoas já
tinham morrido em decorrência dela — duas no Rio de Janeiro e cinco em São
Paulo.
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Camilla Veras Mota - BBC Brasil.


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