Para algumas pessoas, a rotina de limpar a casa frequentemente,
desinfetar as maçanetas e higienizar sapatos e carpetes virou comum nessa
quarentena. A limpeza "pesada" nos cômodos e uso do álcool gel se
tornou hábito. Tudo para combater o novo coronavírus (Sars-CoV-2).
Mas é mais fácil ter esse tipo de controle em casa. No entanto, com a
reabertura de bares, restaurantes e até locais de trabalho, como garantir que a
higiene é bem feita em ambientes que não é você que limpa, como os locais
compartilhados por diversas pessoas? Nessas horas, um banheiro público pode se
tornar algo bastante assustador.
Recentemente, um estudo publicado pelo Physics of Fluids mostrou o potencial de
contaminação por meio dos aerossóis fecais —uma espécie de "nuvem de
cocô" que conteria vírus viável para infectar outras pessoas em banheiros.
De acordo com o artigo, é melhor ter cuidado ao frequentar um banheiro público
pelo qual passa muita gente e evitar dar descarga com a tampa levantada.
Os pesquisadores do trabalho científico sugerem que há maneiras de evitar
a contaminação, como ir ao banheiro de máscara e, caso a pessoa queira limpar o
vaso sanitário com um lenço, deve-se higienizá-lo. No caso dos homens, o
recomendado é manter um distanciamento seguro entre os mictórios e evitar o
máximo de contato com outras pessoas.
O que dizem os médicos?
De acordo com Renato Grinbaum, infectologista da SBI (Sociedade
Brasileira de Infectologia), o uso de banheiro público requer cuidados, mas sem
muita paranoia.
O especialista reforça que a pesquisa estuda a dinâmica física de
partículas de água do vaso sanitário, mas isso não quer dizer que
automaticamente o aerossol está gerando o coronavírus. "A interpretação
tem que ser cuidadosa. Nenhuma recomendação pode ser feita baseada neste tipo
de estudo preliminar. Ele só aponta a necessidade de mais estudos",
explica.
"Sou médico, vou todos os dias ao hospital e uso o banheiro de lá,
que é público. Se fosse tão perigoso, já teria pego a doença".
Igor Marinho, infectologista do HC-SP (Hospital das Clínicas de São
Paulo) e coordenador médico do hospital AACD, explica que as medidas de
prevenção que são adotadas de forma genérica como usar máscara, lavar as mãos e
respeitar o distanciamento social, são ações suficientes para combater o vírus,
mesmo o banheiro sendo um ambiente com gotículas. "O recomendado é seguir
regras de higiene normal e, se possível, usar máscara dentro do
sanitário", reforça.
Cuidado com a
aglomeração...
Com a volta a locais públicos, o cuidado e higienização devem ser feitos,
mas o principal é evitar aglomerações nesses estabelecimentos, inclusive no
ambiente de trabalho. Grinbaum reforça que as máscaras só complementam a
prevenção. "Se temos um ambiente fechado e sem ventilação, a capacidade de
proteção da máscara cai muito", afirma.
Segundo ele, o distanciamento de mais de três metros garante a eficácia
da máscara. Já com um metro de distância, a proteção cai significativamente.
Por isso é importante administrar a lotação de bares e outros locais públicos.
"Mais importante que a higiene dos banheiros é a limpeza frequente das
mãos, o distanciamento social e a disponibilização de equipamentos e
treinamento de funcionários desses locais", reforça.
Além disso, rever a prática de autoatendimento, disponibilizando o
funcionário para servir com anteparo de vidro ou acrílico para evitar
contaminação do alimento por mãos ou partículas respiratórias dos usuários.


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