quinta-feira, 4 de maio de 2017

EXAME CONSEGUE DETECTAR GLAUCOMA MESMO 10 ANOS ANTES DOS SINTOMAS...

FONTE: TRIBUNA DA BAHIA.


Os resultados da pesquisa foram publicados da revista científica "Brain".

Um estudo pioneiro realizado no Reino Unido conseguiu detectar o glaucoma muito antes de qualquer sintoma se manifestar, abrindo caminho para que o tratamento da doença seja feito de forma extremamente precoce, o que aumenta as chances de sucesso.

O glaucoma afeta 60 milhões de pessoas em todo o mundo, e uma em cada dez sofre perda total da visão em ambos os olhos. A doença não tem cura, mas existem tratamentos eficazes. E a detecção precoce significa que os médicos podem iniciar tratamentos antes que a perda de visão comece.
Os ensaios clínicos feitos por pesquisadores do University College London (UCL) e do Western Eye Hospital permitiram que os médicos vissem, de forma individual, a morte das células nervosas na parte de trás do olho, as células ganglionares retinianas. É justamente essa morte — chamada de apoptose — que causa o glaucoma. No entanto, a doença pode se manifestar apenas anos depois da morte dessas células.
Os resultados da pesquisa foram publicados da revista científica “Brain”.
— A detecção precoce do glaucoma é vital, uma vez que os sintomas nem sempre são óbvios. E, embora a detecção tenha melhorado, a maioria dos pacientes já perdeu um terço da visão no momento em que são diagnosticados — diz uma das autoras do estudo, Francesca Cordeiro, do Instituto de Oftalmologia da UCL. — Agora, pela primeira vez, somos capazes de mostrar a morte celular individual e detectar os primeiros sinais de glaucoma. Ainda que não possamos curar a doença, o nosso teste significa que o tratamento pode começar antes de os sintomas começarem.No futuro, esse teste também poderia ser usado para diagnosticar outras doenças neurodegenerativas [como Parkinson, Alzheimer e esclerose múltipla].
O pesquisador-chefe do Western Eye Hospital, Philip Bloom, destaca que o tratamento é muito mais bem-sucedido se iniciado em estágios iniciais da doença, quando a perda de visão é mínima.
— O teste desenvolvido por nós significa que poderíamos diagnosticar pacientes 10 anos antes do que era possível até agora — ressalta ele.
No teste, os cientistas usaram uma substância fluorescente (ANX776) injetada na veia dos pacientes. Essa substância funciona como um marcador: ela “gruda” somente nas células que estão morrendo na parte de trás do olho, e assim se tornam visíveis para os médicos.

 Com exceção da substância, todo o resto do exame é feito com equipamentos usados nos exames oftalmológicos de rotina.
Para Augusto Paranhos, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), esta é uma “quebra de paradigma”. Segundo ele, a inovação está no fato de que, pela primeira vez, em seres humanos, foi possível marcar a célula que morre no glaucoma.

— Na visão, é preciso que haja morte de um contingente [de células] importante para que o paciente perceba uma deficiência visual na região afetada e, para complicar um pouco, se no outro olho, a região correspondente estiver sadia, mesmo com defeito importante, o paciente não percebe. 

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