O impacto da psoríase
na qualidade de vida é maior do que de outras doenças.
Recentemente, a
empresária Kim Kardashian voltou a falar que convive com psoríase,
uma doença crônica e autoimune que se manifesta na pele. Ela citou o problema
ao responder o tuíte de um site que dizia que ela sofria de um "dia ruim
de pele".
Além de sofrer com
lesões e descamação da pele, as pessoas que têm psoríase precisam
lidar ainda com os impactos socioemocionais da doença. Foi, em parte, o que
ocorreu com a empresária.
"O principal
impacto é na qualidade de vida das pessoas. Elas sentem vergonha da pele,
evitam convívio social, param de frequentar praia, piscina, de usar
bermuda", diz Ricardo Romiti, responsável pelo Ambulatório de Psoríase do
Departamento de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São
Paulo.
O especialista menciona
que, segundo estudos, o impacto da psoríase na qualidade de vida é maior do que
de outras doenças, sejam dermatológicas ou não, como diabete e câncer. Além
disso, é preciso lidar com o preconceito. "Justamente por não conseguir
esconder [as lesões na pele], as pessoas acham que é contagioso e evitam ficar
no mesmo ambiente", afirma Romiti.
Dados da pesquisa
Psoríase Brasil, que coletou informações de 11 mil pessoas, mostram que 77% dos
pacientes já sentiram algum preconceito, 48% mudaram hábitos e 81% tiveram
autoestima e vaidade afetadas devido à doença.
Para casos mais leves,
em que as lesões são pontuais, pomadas e cremes anti-inflamatórios resolvem o
problema. Nas situações graves, quando o quadro se espalha pelo corpo, o
tratamento com remédios biológicos é o mais eficaz, pois causa menos
efeitos adversos. Antes disso, pode-se tentar tratamentos convencionais, com
imunossupressores, mas que baixam a imunidade e acarretam comprometimento no
estômago, fígado ou rim, explica Romiti.
Outras doenças que
afetam a autoestima.
A urticária
crônica espontânea é uma doença caracterizada pela ocorrência de urticas,
irritação na pele que causa coceira intensa. Para ser diferenciada da urticária
aguda, a crônica se prolonga por mais de seis semanas.
"Com mais de seis
semanas ou meses, fica difícil descobrir a causa e afastar algo, com segurança,
que leve à melhora do quadro, então só tratamos", afirma Romiti.
Basicamente, os sintomas aparecem sem que a pessoa tenha consumido algum
alimento ou usado um produto que provoca as urticas, por isso é chamada de
espontânea. O diagnóstico, segundo ele, é feito por exame clínico, ou seja,
somente um especialista pode identificar. Em alguns casos, faz-se biópsia.
Assim como a psoríase,
a urticária crônica espontânea tem fortes impactos socioemocionais. "[A
doença] provoca coceira intensa, em que a pessoa não consegue fazer outra coisa
e perde sono", explica o especialista.
O tratamento eficaz vai
controlar os sintomas e pode ser feito com anti-histamínico, antialérgicos ou
imunossupressores. Os resultados variam de acordo com o paciente e, diferente
da psoríase, que não tem cura, a urticária pode ser revertida completamente.
Outra doença que pode
causar desconforto para algumas pessoas, com repercussão no emocional, é
o vitiligo. A doença, que afeta o ator Igor Angelkorte, que fez a
novela O Outro Lado do Paraíso, caracteriza-se por manchas brancas
na pele devido a deficiência de melanina.
Ricardo Romiti explica
que não se sabe a causa do vitiligo, e a doença pode aparecer em qualquer fase
da vida e se prolongar para sempre. O tratamento, segundo ele, varia; nos casos
leves, pode-se usar pomadas e anti-inflamatórios.



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