O
método menos invasivo e aplicado por médicos de alguns países asiáticos chega
ao Brasil.
Tradicionalmente, quem
sofre com problemas na tireóide e necessita de cirurgia, tem de encarar um
procedimento delicado, chamado tireoidectomia, em que consiste em um corte no
pescoço, feito pelo médico, que permite observar e retirar a glândula.
A intervenção é feita
com anestesia geral e o processo demora em torno de duas horas. A questão é
que, mesmo tendo uma recuperação relativamente simples, o processo requer
atenção, já que o órgão está próximo a veias e artérias importantes para o ser
humano.
Contudo, uma nova
modalidade de cirurgia de tireóide – menos invasiva – está sendo feita, e cujo
principal resultado é a não presença de cicatrizes visíveis. Quem explica é o
médico Leonardo Kruschewsky, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço. Ele
realizou dois procedimentos do tipo na semana passada. A primeira foi de uma
paciente com neoplasia (tumor) de tireoide e outra paciente com
Hiperparatiroidismo primário.
“Essa cirurgia é
feita através do espaço atrás do lábio, que é chamado de vestíbulo labial, um
espaço entre a gengiva e o lábio inferior. Através desse acesso, é feita uma
tunelização que vai do lábio, passando pelo queixo e desce pelo pescoço onde
fica a tireóide. A partir daí, a técnica é muito parecida com se fosse uma
cirurgia de videolaparoscopia”, contou.
De acordo com ele,
médicos de países asiáticos como Tailândia, China, Japão e Coréia do Sul foram
os precursores do método há cerca de dez anos. O motivo é que o pescoço, nessas
comunidades, é importante esteticamente, principalmente entre as mulheres, que
se sentiam envergonhadas com as cicatrizes deixadas pela intervenção
tradicional.
“Com a câmera, a
vantagem é que temos uma maginificação da imagem. A gente enxerga a tireóide
muito maior, assim como o nervo da voz e as paratireóides. A cirurgia tem
tecnicamente essa vantagem e não faz a cicatriz no pescoço, ficando escondida”,
salientou Kruschewsky.
Ainda conforme o
especialista, um estudo feito com cerca de 300 casos da Universidade John
Hopkins, nos Estados Unidos, indicou que a cirurgia não apontou incidências de
complicações. “O risco de lesão do nervo da voz é o mesmo que a técnica
tradicional, além da menor chance de desvascularização das tireóides. Mas isso
ainda necessita de trabalhos maiores para confirmar se há uma diferença estatística
a favor dessa nova técnica.”, comentou.
Restrições.
Mas, apesar das mesmas
indicações que são dadas ao paciente no pós-operatório – como alta no dia
seguinte, repouso de até sete dias e evitar atividades a exemplo de dirigir
carros - Leonardo Kruschewsky alerta que o procedimento não é uma técnica a
qual todos os pacientes poderão realizar.
“Neste caso, de
preferência, os pacientes não podem ter glândulas superiores a 15 cm, pois a
glândula precisa sair pelo orifício que foi criado no lábio, assim como os
nódulos, benignos ou não, que tem de ter o tamanho máximo de 2 cm e tenham
indicação cirúrgica. Isso representa entre 20% e 25% dos pacientes que vão
operar. O caso precisa ser bem selecionado para que a técnica seja bem
exercida”, disse.
Por último, ele
informou que, aqui em Salvador, unidades como a Cardiopulmonar e os hospitais
Aliança e São Rafael já realizam essa modalidade de cirurgia. A nível nacional,
São Paulo e Rio de Janeiro são os estados que possuem o maior número de casos
relativos ao procedimento.


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