sexta-feira, 6 de setembro de 2019

NOVA MODALIDADE DE CIRURGIA DE TIREÓIDE NÃO DEIXA CICATRIZES...


FONTE: Yuri Abreu,, Salvador, https://www.trbn.com.br

O método menos invasivo e aplicado por médicos de alguns países asiáticos chega ao Brasil.

         
Tradicionalmente, quem sofre com problemas na tireóide e necessita de cirurgia, tem de encarar um procedimento delicado, chamado tireoidectomia, em que consiste em um corte no pescoço, feito pelo médico, que permite observar e retirar a glândula. 

A intervenção é feita com anestesia geral e o processo demora em torno de duas horas. A questão é que, mesmo tendo uma recuperação relativamente simples, o processo requer atenção, já que o órgão está próximo a veias e artérias importantes para o ser humano.

Contudo, uma nova modalidade de cirurgia de tireóide – menos invasiva – está sendo feita, e cujo principal resultado é a não presença de cicatrizes visíveis. Quem explica é o médico Leonardo Kruschewsky, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço. Ele realizou dois procedimentos do tipo na semana passada. A primeira foi de uma paciente com neoplasia (tumor) de tireoide e outra paciente com Hiperparatiroidismo primário.

 “Essa cirurgia é feita através do espaço atrás do lábio, que é chamado de vestíbulo labial, um espaço entre a gengiva e o lábio inferior. Através desse acesso, é feita uma tunelização que vai do lábio, passando pelo queixo e desce pelo pescoço onde fica a tireóide. A partir daí, a técnica é muito parecida com se fosse uma cirurgia de videolaparoscopia”, contou.

De acordo com ele, médicos de países asiáticos como Tailândia, China, Japão e Coréia do Sul foram os precursores do método há cerca de dez anos. O motivo é que o pescoço, nessas comunidades, é importante esteticamente, principalmente entre as mulheres, que se sentiam envergonhadas com as cicatrizes deixadas pela intervenção tradicional.

“Com a câmera, a vantagem é que temos uma maginificação da imagem. A gente enxerga a tireóide muito maior, assim como o nervo da voz e as paratireóides. A cirurgia tem tecnicamente essa vantagem e não faz a cicatriz no pescoço, ficando escondida”, salientou Kruschewsky.

Ainda conforme o especialista, um estudo feito com cerca de 300 casos da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, indicou que a cirurgia não apontou incidências de complicações. “O risco de lesão do nervo da voz é o mesmo que a técnica tradicional, além da menor chance de desvascularização das tireóides. Mas isso ainda necessita de trabalhos maiores para confirmar se há uma diferença estatística a favor dessa nova técnica.”, comentou.

Restrições.
Mas, apesar das mesmas indicações que são dadas ao paciente no pós-operatório – como alta no dia seguinte, repouso de até sete dias e evitar atividades a exemplo de dirigir carros - Leonardo Kruschewsky alerta que o procedimento não é uma técnica a qual todos os pacientes poderão realizar.
“Neste caso, de preferência, os pacientes não podem ter glândulas superiores a 15 cm, pois a glândula precisa sair pelo orifício que foi criado no lábio, assim como os nódulos, benignos ou não, que tem de ter o tamanho máximo de 2 cm e tenham indicação cirúrgica. Isso representa entre 20% e 25% dos pacientes que vão operar. O caso precisa ser bem selecionado para que a técnica seja bem exercida”, disse.

Por último, ele informou que, aqui em Salvador, unidades como a Cardiopulmonar e os hospitais Aliança e São Rafael já realizam essa modalidade de cirurgia. A nível nacional, São Paulo e Rio de Janeiro são os estados que possuem o maior número de casos relativos ao procedimento.

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