Se existe algo
democrático neste mundo é a dor nas costas: 85% das pessoas vão senti-la pelo
menos uma vez na vida, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Os motivos
são bem variados. “Existe uma certa predisposição genética, sim. Mas idade,
excesso de peso, má postura, esforços repetitivos e sedentarismo também
influenciam”, diz o ortopedista Alexandre Fogaça Cristante, do HC-FMUSP
(Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).
É fácil perceber que a maioria dessas causas está relacionada ao estilo de vida
moderno. “Se observamos ao redor, vamos notar cada vez mais pessoas que passam
o dia sentadas de qualquer jeito na frente do computador ou no sofá, e forçando
o pescoço para baixo para olhar a tela smartphone”, diz o ortopedista
Edson Pudles, presidente da Sociedade Brasileira de Coluna.
E quando a dor bate, é
difícil resistir aos analgésicos que estão à mão - mesmo que eles não tenham
sido indicados por um médico. “É lógico que, no primeiro momento, o remédio
traz alívio”, diz Marília Funes, da SBAhq (Sociedade Brasileira de
Anestesiologia). “Mas se o incômodo volta com o fim do efeito anestésico, é
sinal de que você precisa ser avaliado por um ortopedista. Tomar mais
comprimidos pode mascarar um problema sério na coluna e levar à dor crônica.”
Aliás, só o uso dos
medicamentos sem orientação já pode terminar bem mal: a OMS calcula que há pelo
menos uma morte por dia no mundo por automedicação. “Doses erradas causam
intoxicação e podem prejudicar os rins e o fígado”, alerta Funes. Um estudo
publicado no periódico Scientific Reports afirma que o excesso de
paracetamol, um dos analgésicos mais comuns no mercado, provoca danos ao fígado
similares aos da hepatite.
Então, qual a melhor
solução para não sofrer com a dor nas costas? O primeiro passo é deixar o
sedentarismo de lado. “Temos uma musculatura muito importante na região
abdominal, chamada core, que é responsável pela sustentação da coluna. Se
fortalecer ali, o risco de incômodo é menor”, explica Cristante.
E, se já tiver em
tratamento por um problema ortopédico, você pode e deve procurar alternativas
de alívio que não cabem em uma pílula: “Há várias terapias complementares que
são reconhecidas pela medicina e geram resultados tão bons quanto analgésicos”,
decreta Marília Funes. Nós listamos as vantagens de algumas delas:
1. Acupuntura.
Oficialmente uma
especialidade médica, a técnica com agulhas é indicada até para incômodos
crônicos nas costas. “Ela ajuda na liberação de endorfina pelo corpo (uma
substância natural que combate à dor), relaxa os músculos e alivia a tensão do
paciente”, diz Funes, que também é especialista em Acupuntura pela AMB
(Associação Médica Brasileira). Geralmente, já se percebe uma grande melhora lá
pela quinta sessão.
2. Osteopatia.
A base da técnica é
crença de que todos os sistemas do corpo estão integrados e precisam trabalhar
em equilíbrio. "Nós procuramos conhecer a história clínica e da dor de
cada pessoa. Mas também fazemos avaliação postural, testes físicos e de
mobilidade; até chegar em um diagnóstico final bem individualizado",
explica a fisioterapeuta Samira Poliseli, da Escola de Osteopatia de Madrid, em
São Paulo.
O tratamento é feito
com intervenção manual para reorganizar as estruturas do organismo. “O objetivo
não é eliminar a dor só na hora, mas a causa dela. E os resultados podem
aparecer logo no primeiro encontro.” A osteopatia não tem contraindicação e é
recomendada para incômodos agudos e crônicos.
3. Massagem.
Se o médico liberar,
algumas técnicas disponíveis em spas e clínicas são um alívio certo! “A
massagem relaxa a musculatura das costas e o movimento das mãos ali estimula a
circulação do sangue na região, o que acelera a recuperação em caso de lesão”,
explica a fisioterapeuta Andréa Torres, do W Spa, no Rio de Janeiro. Uma boa
prévia com a terapeuta vai ajudá-la a acertar a mão. “Alguns tipos de dor se
beneficiam de mais pressão, outros exigem um toque mais leve. Tem que ser uma
massagem, não tortura.” Também vale procurar por técnicas que usam pedras
aquecidas ou géis que esfriam, por exemplo. “O calor é relaxante e o frio é
analgésico”, completa Torres.
4. Pilates.
Lembra a tal
musculatura do core de que falamos acima? Poucas modalidades na academia focam
tanto nele quanto o Pilates. “Nós trabalhamos com exercícios integrados que
ativam a musculatura do core, fortalecem e alongam”, explica a educadora física
Andressa Peters, instrutora de Pilates da Bodytech, em Curitiba. Aliás, o
próprio Joseph Pilates disse que nós somos tão jovens quanto a flexibilidade de
nossa coluna. Como ainda trabalha a consciência corporal, a técnica é excelente
para melhorar a postura e prevenir dores nas costas. Mas mesmo quem já sente o
incômodo pode participar das aulas com autorização do médico: “O instrutor
indica adaptações dos exercícios respeitando as limitações de cada pessoa”,
diz.
5. Ioga.
Manter a boa postura é
essencial para a técnica indiana. “O equilíbrio energético do nosso corpo
depende disso”, explica a instrutora Renata Mozzini, diretora da Premananda
Yoga School, em São Paulo. Por isso, sentar-se corretamente e com o
alinhamento correto vai ser uma das primeiras coisas que você vai aprender numa
aula de ioga - antes mesmo de mantras e meditações. “Durante a prática, fazemos
muitas posturas de alongamento - para frente e para trás - e de torção que
reorganizam os espaços entre as vértebras. Isso alivia e previne incômodos nas
costas”, explica. Sem contar que você termina a aula muito mais relaxado do que
começou - e isso é um santo remédio para qualquer dor.


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