De uns tempos para cá,
a relação entre o que comemos e a inflamação passou a ser mais conhecida. “A
qualidade da dieta e até a quantidade de comida que a pessoa come influenciam
no surgimento de inflamações no organismo”, aponta Márcio Mancini,
endocrinologista membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e
Metabologia).
Mas afinal, o que é
essa tal inflamação de que os profissionais de saúde estão sempre falando? É um
processo que normalmente serve como defesa do organismo a agentes considerados
inimigos, mas que em excesso leva ao desenvolvimento de diversos problemas,
principalmente metabólicos (como diabetes e doenças cardiovasculares).
A relação entre a
inflamação e o prato ganhou tanta fama que existe até um cálculo
para estabelecer o fator inflamatório de cada alimento,
mas atenção: há ressalvas quanto ao uso deste método com o objetivo de prevenir
doenças. “Precisamos de mais trabalhos para que se relacione esse índice com
biomarcadores inflamatórios”, aponta Lara Natacci, da Câmara Técnica do
Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região SP-MS (CRN-3).
Com isso em mente,
apresentamos abaixo alguns alimentos que estão relacionados com o aumento de
inflamações. Mas já adiantamos que não dá para apenas para riscá-los do seu dia
a dia. “A ideia é que a dieta seja equilibrada e não apenas apontar um
ingrediente como vilão”, desta Mancini. “O problema é as pessoas comem tudo em
excesso e têm comportamento sedentário, ou seja, uma junção de fatores
negativos”, complementa.
1. Carne vermelha.
Os amantes de um bom
bife vivem rebatendo as alegações de malefícios, mas eles existem sim quando há
exagero no consumo. “Ela possui aminoácidos que, se ingeridos em excesso, fazem
com que o fígado produza uma substância que leva a inflamação nas artérias”,
explica Márcio. Isso pode favorecer o aparecimento de doenças cardiovasculares,
como a hipertensão.
Outro problema deste
item é o alto teor de gordura saturada, principalmente nos cortes mais
gordurosos. Esse tipo de gordura provoca uma resposta inflamatória do corpo. “O
organismo vê aquilo como uma agressão e produz substâncias de defesa, como as
interleucinas”, explica Lara. Só que os níveis altos e constantes destas
moléculas fazem com que elas deixem de ter efeito protetor e passem a favorecer
o ganho de peso e outros prejuízos.
2. Bolacha recheada,
sorvetes industrializados e companhia.
Parte da má fama desses
alimentos - conhecidos como ultraprocessados, vem das gorduras trans que eles
contêm, identificadas no rótulo como "gordura vegetal hidrogenada" ou
"parcialmente hidrogenada". O consumo delas não deve ultrapassar 2 g
por dia. “Elas têm ação semelhante à da gordura saturada, favorecendo a
inflamação das artérias”, aponta Mancini.
3. Doces no geral.
Aqui a preocupação é o
açúcar em excesso, em especial o que vem das bebidas açucaradas, devido a
pequena quantidade de fibras que esses itens possuem. Quando não há fibras para
tornar a absorção do açúcar mais lenta, ele é liberado de uma vez na corrente
sanguínea, o que acaba provocando um processo inflamatório dentro das células,
relacionado também à resistência à insulina, processo em que os tecidos
precisam de mais deste hormônio para colocar o açúcar dentro das células. Sem
contar que a doçura exagerada não faz bem ao intestino. “Ela pode também
provocar uma inflamação local no intestino, que abre as portas para outras
substâncias nocivas que aumentam a resposta inflamatória no resto do
organismo”, descreve Jacqueline Moniz Anversa, nutricionista da Clínica Dra.
Maria Fernanda Barca.
Itens que fazem bem.
Há um grupo de
nutrientes que têm ação anti-inflamatória. Salmão e sardinha, assim como outros
peixes, são fontes de ômega-3. “Quando temos um índice alto deste tipo de
gordura nas células, há uma redução das substâncias inflamatórias”, indica Lara
Natacci.
Efeito semelhante têm
as fibras dos carboidratos complexos (como as raízes e arroz e farinha
integrais), frutas e verduras que, ao serem processadas pelas bactérias do
intestino, produzem ácidos graxos de cadeia curta, moléculas que regulam o
sistema imune.


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