FONTE: *** Cintia Baio, Colaboração para o UOL, (noticias.uol.com.br).
"Ei, você quase me matou de
susto!". Quantas vezes você já disse (ou já ouviu) essa frase diante de
uma situação inesperada? As reações desencadeadas pelo susto, como coração
disparado, palidez e um grito de pavor, são tão intensas em nosso organismo
que, em muitos casos, pensamos que realmente vamos morrer. Mas isso é mesmo
possível?
De acordo com os especialistas, a
resposta é: sim, podemos. Mas fique calmo! As chances de morrer em decorrência
de um susto são muito maiores em pessoas que, mesmo sem saber, têm um sistema
cardíaco já comprometido. O susto, nesse caso, seria apenas uma espécie de
gatilho.
Como nosso corpo reage ao
susto?
As reações causadas
pelo susto tiveram origem há muito tempo, quando ainda vivíamos em cavernas. O
corpo humano tem um mecanismo de proteção natural chamado de "resposta de
luta ou fuga". Quando um animal (inclusive o homem) é confrontado e colocado
em uma situação de risco de vida, o sistema nervoso responde ao ataque
aumentando a frequência cardíaca e o fluxo sanguíneo, dilatando a pupila, entre
outras coisas. Tudo isso para aumentar as chances de sucesso em uma briga ou em
uma fuga.
Acontece que esse processo
era de grande ajuda para os seres humanos primitivos, que viviam praticamente
em estado selvagem. O problema é que agora, no mundo moderno, essa resposta de
luta ou fuga não é tão necessária, causando uma certa desvantagem ao nosso
sistema nervoso.
Para ativar esse
mecanismo, no caso, reagir ao susto, nosso cérebro ordena a liberação de uma
descarga de adrenalina na corrente sanguínea, um hormônio produzido nas
glândulas suprarrenais que tem a função de preparar o corpo para o perigo.
Essa descarga provoca,
entre outros efeitos, a elevação da pressão arterial, o aumento do fluxo de
sangue nos músculos e a aceleração dos batimentos cardíacos (daí a expressão
"meu coração quase saiu pela boca").
Além disso, a
adrenalina estimula a contração dos vasos sanguíneos, que serve para melhorar a
irrigação do sangue para órgãos vitais, como o cérebro e o coração. E é aí que
pode estar o perigo. Se alguma artéria responsável por levar sangue para o
coração (coronária) já estiver semi-obstruída, o aumento do fluxo pode levar a
uma arritmia, um infarto ou até mesmo a morte.
Mas o susto não é o
único gatilho. Qualquer forte emoção, seja ela positiva ou negativa também
podem causar a morte. Por exemplo, você pode ter um ataque cardíaco ao ver a
final de um campeonato de futebol importante para o seu time ou durante uma
relação sexual.
Na Rússia, por
exemplo, uma mulher morreu de infarto depois de acordar no meio do seu próprio
velório. Fagilyu Mukhametzyanov, de 49 anos, foi declarada morta por engano e
estava sendo velada por amigos e parentes quando se levantou do caixão e
começou a gritar desesperadamente. Quando ouviu os amigos rezando, percebeu que
estava no próprio velório e começou a passar mal.
Grito, coração disparado,
palidez: por que ocorrem?
Todas as sensações
ruins que sentimos durante e depois do susto fazem parte de um mecanismo de
defesa do nosso organismo, ativado a partir da descarga de adrenalina. Veja os
principais:
• Palidez:
o sangue deixa de circular com intensidade nas extremidades da pele e passa a
ser direcionado para os órgãos essenciais do organismo, como cérebro e coração.
• Tremor: o excesso de adrenalina faz com que os músculos, principalmente os das pernas, se contraiam para ajudar a consumir o excesso desse hormônio.
• Olhos arregalados: também é culpa da adrenalina, que causa a dilatação das pupilas para que mais luz entre nos olhos e seja possível enxergar melhor.
• Grito: não acontece com todo mundo, mas o grito pode ser uma herança biológica. Quando nossos antepassados se deparavam com algum perigo, gritavam para afastar o inimigo.
*** Fontes: César
Jardim, cardiologista do HCor, e Leandro Teles, neurologista.

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