FONTE: Fabiana Marchezi,
Colaboração para o UOL, de Campinas (SP), (noticias.uol.com.br).
Apaixonado, o casal fecha os olhos
durante aquele beijo. Isso é sinal de amor? É apenas uma prática cultural? Um
estudo da Universidade de Londres sugere uma resposta bem menos romântica para
isso.
A prática pode ter uma base
biológica: a capacidade de sentir o toque depende de quanta informação visual o
cérebro recebe no mesmo momento. Ou seja, fechar os olhos amplia a percepção do
toque. A conclusão foi publicada em março no "Journal of Experimental
Psychology: Human Perception and Performance" (revista científica de
psicologia).
"A visão tem uma carga
perceptiva muito grande. Quando fechamos os olhos conseguimos apurar melhor os
outros sentidos. Esse estudo mostra exatamente isso. No caso do beijo, as
pessoas ficam mais sensíveis ao toque quando seus olhos estão fechados".
Larissa Costa Rodrigues Piai,
psicoterapeuta comportamental.
A conclusão "nada
romântica" do estudo surgiu quando os pesquisadores estudavam se a
percepção ao toque era alterada conforme os estímulos visuais recebidos.
Os voluntários recebiam alertas
táteis --aqueles que vibram-- enquanto tinham de fazer tarefas visuais. Depois de
receberam uma tarefa com alta carga visual ou baixa carga visual, tinham de
dizer se tinham ou não percebido uma vibração em suas mãos naquele momento.
Com isso, os pesquisadores notaram
que a percepção das vibrações diminuía conforme aumentava o nível de
informações visuais recebidos.
"Esse estudo foi muito além do
sentido do toque e muito além do motivo de fecharmos olhos enquanto beijamos.
Ele evidenciou que ao inutilizarmos um sentido, acabamos aguçando outros",
concluiu Larissa.
Visão atrapalha a audição?
Em estudos anteriores, pesquisadores
já tinham descrito que a capacidade de perceber estímulos sonoros variava
conforme a intensidade de informações visuais recebidas simultaneamente.
"É por isso que quando queremos
prestar atenção na letra de uma música o melhor a se fazer é fechar os olhos
para que o ambiente a nossa volta fique em segundo plano e possamos nos
concentrar no que estamos fazendo, para sentir aquele momento. Inibimos o
sentido da visão para apurarmos outros", aponta o psicólogo Yuri Busin,
diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental – Equilíbrio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário