Usar maconha
diariamente durante a gravidez pode reduzir os níveis de oxigênio para o feto,
e levar o bebê a nascer com baixo peso e baixa resistência a infecções. Essas
foram as principais conclusões de um estudo que acompanhou 450 gestantes que
usaram a droga, publicado esta semana no Journal of Maternal-Fetal and
Neonatal Medicine.
Os pesquisadores, da
Universidade de Nevada, nos EUA, alertam que a interferência do uso no
crescimento fetal pode submeter o bebê a diversos problemas de saúde durante a
gravidez e o parto, ou logo depois do nascimento. Eles citam a possibilidade de
nascer com baixos índices de Apgar (teste que avalia a vitalidade do
recém-nascido) e de sofrer hipoglicemia (baixo açúcar no sangue), sendo que em
casos mais graves o dano pode ser fatal.
Falsa crença.
A maconha é legalizada
em diversos estados norte-americanos, o que faz muita gente crer que se trata
de uma droga segura. Dados recentes do periódico Jama, a revista da
Associação Médica Americana, indicam que o consumo da erva na gravidez dobrou
nos últimos 15 anos. As estimativas são de que 16% das gestantes usem maconha
diariamente. O mais alarmante é que, segundo esses levantamentos, as mulheres
acreditam que há pouco ou nenhum risco para o bebê. Algumas até acreditam que a
erva funcione como um remédio seguro para aliviar o enjoo matinal.
Os autores da pesquisa,
coordenados pelo médico Bobby Brar, reforçam as evidências já existentes de que
a exposição fetal à maconha não é inócua como muita gente imagina. Um dos
componentes apontados como problemáticos para o feto são os hidrocarbonetos
aromáticos policíclicos, também presentes no tabaco.
Fumo passivo.
Os pesquisadores da
Universidade de Nevada também sugerem que o fumo passivo também pode ser
arriscado para o feto – alguns estudos recentes indicam que haveria maior
concentração dessas substâncias nocivas no fumo passivo de maconha em
comparação com o fumo passivo de tabaco. Isso deve servir de alerta para quem
convive com uma gestante.
Embora eles avisem que
são necessárias pesquisas adicionais para entender melhor os impactos negativos
do uso diário de maconha no crescimento fetal, a equipe defende que o consumo e
a exposição à fumaça sejam evitados durante toda a gravidez. E que as gestantes
sejam orientadas sobre estratégias para interromper o uso, quando for o caso.


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