|
Resumo da
notícia
|
|
Pessoas
com demência frontotemporal podem ter uma mutação que impede a produção da
proteína progranulina --sua ausência está ligada à doença
|
|
Agora,
cientistas descobriram que uma classe de antibióticos pouco utilizada
clinicamente pode fazer o corpo voltar a produzir a progranulina
|
|
O
próximo passo é estudar os efeitos dos antibióticos em camundongos com a
mutação ligada à demência, e ver se os resultados são promissores
|
Um grupo de
pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Kentucky (EUA)
mostrou que uma classe de antibióticos chamada aminoglicosídeos pode ser um
tratamento promissor contra a demência frontotemporal. O estudo foi publicado no
periódico Human Molecular Genetics, na quarta-feira (8).
Esse tipo da condição,
mais comum entre as mulheres acima dos 50 anos, corresponde até 10% dos casos
de demência. Como o nome entrega, a doença afeta os lobos frontais e temporais
do cérebro, que têm entre as funções a regulação do humor e comportamento.
Assim, o que mais chama a atenção é a mudança de comportamento do paciente. A
pessoa pode adquirir apatia e ficar sem fazer nada, ou pode ficar completamente
enérgico e desinibido. No início, memória e orientação parecem nem ser
afetadas.
Alguns dos indivíduos
com esse tipo de demência (5 a 26%) ainda têm uma mutação genética específica,
que impede que as células cerebrais produzam uma proteína chamada progranulina.
Embora essa proteína não seja amplamente compreendida, sua ausência está ligada
à doença.
Os cientistas do estudo
descobriram que, após a adição de antibióticos aminoglicosídeos aos neurônios
com essa mutação, as células começaram a produzir a proteína de progranulina
novamente, ignorando a mutação.
Na pesquisa, dois
antibióticos específicos de aminoglicosídeos (gentamicina e G418) foram
eficazes na correção da mutação e na produção da proteína progranulina
funcional.
Como atualmente não há
tratamento para a demência frontotemporal, os cientistas acreditam que os
resultados podem ser promissores para o desenvolvimento de medicamentos.
Como
o estudo foi feito.
Os cientistas
rastrearam onze aminoglicosídeos em um sistema de cultura celular. A ideia era
determinar se qualquer composto pode induzir a leitura de mutações com
progranulina.
A equipe descobriu que,
ao adicionar uma pequena molécula de antibiótico às células, eles 'enganavam' a
maquinaria celular mutante para produzir a proteína.
As moléculas de
Gentamicina ou G418 foram as mais eficazes. Ao serem adicionadas às células
afetadas, o nível da proteína de progranulina foi recuperado em cerca de 50 a
60%.
Pesquisas
futuras.
Segundo os
pesquisadores, esse foi um estudo pré-clínico e o próximo passo é estudar os
efeitos dos antibióticos em camundongos com a mutação ligada à demência
frontotemporal. Além disso, eles também querem desenvolver novos compostos de
Gentamicina e G418 que possam ser mais seguros e eficazes —os usos clínicos
desses antibióticos são limitados, pois eles estão associados a vários efeitos
colaterais adversos.
"Se conseguirmos
os recursos certos para trabalhar, poderemos potencialmente redirecionar essa
droga. Essa é uma fase inicial do estudo, mas fornece uma importante prova de
conceito de que esses antibióticos aminoglicosídeos ou seus derivados podem ser
uma via terapêutica para a demência frontotemporal ", disse Haining Zhu,
que liderou a pesquisa, em um comunicado divulgado à imprensa.


Nenhum comentário:
Postar um comentário