FONTE: Gabrielle Galvão, TRIBUNA DA BAHIA.
Em repúdio a PEC 287/2016, que trata da reforma da
Previdência Social, policiais federais se mobilizaram ontem (5) em todo país
para deliberar sobre estado de greve.
Em
repúdio a PEC 287/2016, que trata da reforma da Previdência Social, policiais
federais se mobilizaram ontem (5) em todo país para deliberar sobre estado de
greve. Em Salvador, o ato aconteceu em frente à Superintendência Regional na
Avenida Oscar Pontes, Água de Meninos, e contou com a participação de agentes,
peritos, delegados, escrivães e papiloscopistas federais. A categoria vai
aderir à greve geral no próximo dia 28.
Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Federais da
Bahia, José Mário Lima, o projeto acaba com a expectativa da aposentadoria
policial e os que sobreviverem não terão condições adequadas para oferecer
segurança à população.
“Em média um policial federal começa exercer a carreira a partir dos 27 anos de idade. Cumprindo 49 anos de contribuição ele só poderá se aposentar com 76 anos. Nessa idade, ele terá limitações físicas e psicológicas para proteger a população. Quem vai confiar a vida a uma pessoa com restrições?”, questionou.
José
Mário ressaltou que os profissionais de segurança pública exercem atividade de
risco, em face da natureza da atividade policial que tem o dever legal de
enfrentar o perigo e que, por isso, é altamente complexa, estressante e exige
condições físicas, psicológicas e regime de trabalho diferenciado.
“A
Polícia Federal não só atua com investigações, como também entra em confronto
com marginais. É inadmissível que um país onde morrem cerca 500 policiais por
ano, não reconhecer a nossa profissão como atividade de risco. Em outros
segmentos, quando sua jornada de trabalho acaba, eles vão para casa descansar
sem se preocupar com a atividade exercida. Com a gente é diferente, quando
vamos para casa podemos cruzar com um bandido que pode tirar nossa vida”,
frisou.
O diretor parlamentar do sindicato, Augusto Almeida,
salientou que se a reforma passar, o policial deixará de gozar o direito à
aposentadoria, porque muitos morrerão no exercício de seu ofício sem
conseguirem atingir os 49 anos de contribuição exigidos.
“Não dá para acreditar que o Governo Federal encaminhe uma proposta de reforma da Previdência como essa. Temos os índices de mortalidade mais altos do mundo e sequer alcançados por países em guerra. Precisamos é de uma reforma na Saúde, na Educação, na Assistência Social para melhorar nossa qualidade de vida, isso sim é imprescindível”, disse.
Segundo
o diretor regional da Associação dos Delegados de Policia Federal, delegado
Rony José Silva, a PEC 287/2016 enfraquecerá a categoria. “Nós estamos em fase
ruim da categoria, com alto índice de suicídio e depressão. Trabalhamos duro
para garantir a ordem pública. Não dá para um policial idoso enfrentar um
marginal de 18 anos, não há possibilidade dessa reforma dar certo. Não pode
haver um retrocesso para a segurança pública”, afirmou.
Para a policial federal Gleise Lima de Oliveira, a PEC está
suprindo a equiparação das vantagens femininas conquistada recentemente. “Não
se pode, simplesmente, passar por cima de um direito adquirido depois de anos
de luta. Há pouco tempo, conseguimos essa tão sonhada equiparação, que com a
reforma não vai mais existir. Não tivemos nem tempo de se acostumar com ela”, disse.
O policial André Canelas observou que, “não podemos tomar como exemplo outros países para se reformar a previdência, sem olhar a estrutura daquele lugar. Em outros países a saúde, o transporte, a segurança, a educação e toda parte assistencial funcionam, aqui não”, finalizou.

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