No geral, o uso nocivo
do álcool causa mais de 5% da carga global de doenças.
O Brasil está acima da
média mundial em consumo de bebidas alcoólicas. Segundo relatório divulgado
pela Organização Mundial da Saúde em 2018, mais de 3 milhões de pessoas
morreram por uso nocivo do álcool em 2016 - 1 em cada 20 mortes. Mais de três
quartos delas ocorreram entre homens. No geral, o uso nocivo do álcool causa
mais de 5% da carga global de doenças.
O processo de
desenvolver a dependência ao álcool pode ser lento e gradual, explica a
psicóloga do Espaço Nelson Pires e Analista do Comportamento, Ana Paula Nunes:
“o indivíduo começa em pequenas quantidades, aumentando com o passar do tempo,
resultando em resistência do organismo (doses cada vez maiores para sentir os
efeitos da bebida), abstinência através de sintomas físicos e psíquicos e
compulsões pelo abuso do álcool, ainda que o indivíduo tente reduzir ou regular
o uso da substância”.
A dependência alcoólica
afeta o indivíduo através dos danos cognitivos, alterações comportamentais e
biológicas como agravamento à saúde clínica - doença hepática alcoólica, por
exemplo. Ana Paula explica que a dependência está associada também a
consequências danosas em diversas áreas da vida: “Acidentes automobilísticos,
discussões, brigas ou comportamentos violentos estão associados ao abuso de
bebida alcoólica. Também afeta a dinâmica familiar, o padrão financeiro a
depender dos gastos com o consumo, além de prejudicar na área profissional
pelos efeitos da “ressaca”. No âmbito social, pode haver a desaprovação de
alguns amigos, ao mesmo tempo em que o comportamento é mantido por outros
amigos que apresentam comportamento similar”.
O tratamento para
alguém que está com problemas relacionados à substâncias alcoólicas ocorre
através de uma equipe multidisciplinar, explica Ana Paula: “No processo de
desintoxicação é importante o acompanhamento médico com farmacoterapia e
Psicoterapia Comportamental, associada com psicoeducação, trabalho com
prevenção de recaídas e abordagem familiar. É importante buscar ajuda
profissional, afinal trata-se de um cuidado para a saúde mental”.

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