Com a rapidez e a
impulsividade com que personalidades das mais diferentes origens e matizes
postam seus comentários em suas diversas plataformas digitais, uma profusão
nunca vista de imbecilidades tem sido divulgada aos quatro cantos da internet
e, muitas delas “pegam” e “viralizam”.
Políticos, médicos,
jornalistas, cantores, atores, influenciadores digitais, ninguém escapa da
armadilha. Dependendo do tamanho da imbecilidade, ela exige uma estratégia que
temos visto com frequência cada vez maior também: as tentativas de retratação
ou pedidos de desculpa digitais, muitas vezes articuladas por agentes
especializados em tentar “varrer a poeira” para baixo do tapete virtual.
Ok, todos somo humanos
e passíveis de erro. Quem nunca errou, que atire a primeira pedra! A questão é
que o “erro digital”, como tudo que acontece nesse meio, pode alcançar
proporções estratosféricas e, o impacto emocional e prejuízo social sentidos
pela vítima do erro variam na mesma escala.
Mas será que, apesar do
impacto incalculável na vida de quem sofreu o “deboche” ou o “ataque”, quem
cometeu a imbecilidade, aprende com seu erro? Esse, a meu ver, é o grande
divisor de águas entre o “eu fui um imbecil” e o “eu sou um imbecil”.
A reincidência em
imbecilidades digitais tem sido encontrada, também, com frequência cada vez
maior. E essa reincidência pode falar muito mais a respeito da personalidade,
da ética, dos valores, do comportamento (digital ou não) de quem insiste em ser
imbecil do que as vãs tentativas de apagar os múltiplos focos de incêndio
causados no ecossistema virtual.
No fundo a questão é
muito simples e não são as telas que definem uma diferença de padrão de
resposta: será que eu aprendo, de fato, com meu erro e vou tentar ser uma
pessoa melhor, ou, vou continuar achando que tudo bem falar o que der na minha
telha e dane-se quem se ofender com isso?
Se eu continuar a achar
que “likes”, seguidores e popularidade valem eventuais “escrotices” digitais,
ou pior, se eu não consigo perceber quando estou sendo um “babaca” digital, o
buraco reside muito mais embaixo. E, aí, dá muito mais trabalho mudar!
Imagine se houvesse
algo como uma carteira de habilitação digital e, quem atingisse o teto de
infrações fosse punido com a suspensão do direito de teclar? Será que as
pessoas iriam cometer menos imbecilidades? Aposto que sim! Mas é triste
constatar que nós, humanos digitais, ainda precisamos de limites externos e
punições para aprender a melhor forma de se relacionar com o outro! E, perceba,
que não estou propondo uma internet sem gosto, sem graça e sem humor, mas sim
um ambiente saudável, inteligente e de respeito. Uma coisa não exclui a outra!
De qualquer maneira,
como aprender nunca é demais em nenhum campo de conhecimento e da vida, fica
aqui minha proposta: que tal educação para cidadania digital para quem insiste
em ser imbecil em suas redes?


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