A relação entre
estresse psicológico e transtornos como depressão e ansiedade é algo bem
estabelecido. Mas alguns estudos vêm mostrando que enfrentar situações difíceis
também pode resultar em outros problemas de saúde. Ainda mais quando a
adversidade ocorre na infância ou na adolescência, fases em que ninguém tem
maturidade suficiente para lidar com certos tipos de sofrimento.
Esta semana, a Jama
Pediatrics (periódico da Associação Médica Americana) trouxe um estudo
que reforça essa conexão. Segundo o trabalho, crianças e adolescentes expostos
a situações de violência ou estresse têm maiores níveis de inflamação crônica
ao completar 18 anos de idade. Isso significa que eles podem ter a imunidade
alterada, ficar doentes com maior facilidade e até morrer mais cedo por causa
dessas experiências.
A pesquisa contou com
1391 jovens do Reino Unido, e envolveu pesquisadores das áreas de psiquiatria,
psicologia e neurociência de universidades de prestígio, como a Duke, nos
Estados Unidos, a King`s College London, em Londres, e o hospital universitário
Amager and Hvidovre, na Dinamarca. A equipe utilizou como referência a
presença de certas substâncias no sangue que indicam um quadro inflamatório.
O estudo considerou
seis tipos diferentes de adversidades: testemunhar violência entre pai e mãe,
ser humilhado por pares (bullying), receber maus-tratos de um adulto, abuso
sexual, abuso emocional e negligência. Os participantes foram avaliados aos 5,
7, 10 e 12 anos de idade. A maioria das crianças, ou 72,2%, não tinha
enfrentado adversidades graves na infância. Mas 21,4% relataram uma experiência
desse tipo, 4,2% relataram duas e 2,2%, três ou mais.
Durante a adolescência,
entre os 12 e 18 anos de idade, foram avaliadas as seguintes situações
deflagradoras de estresse: crime; cyberbullying; violência cometida por pares,
irmãos ou familiares; abuso sexual, maus-tratos ou negligência. Nessa fase,
63,8% não tiveram situações graves para relatar; 19,8% relataram uma
experiência; 9,4%, duas, e 7%, três ou mais.
Todos esses resultados
mostram duas coisas: em primeiro lugar, que crianças e adolescentes são
expostas a situações de violência, abuso e negligência com uma frequência maior
do que muita gente imagina. Em segundo, que investir em orientação familiar e
suporte psicológico a esses jovens é uma questão de saúde pública.


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