FONTE: GUILHERME
GENESTRETI, DE SÃO PAULO (www1.folha.uol.com.br).
O professor A.L. tem 40 anos e frequenta um grupo
de ajuda mútua para compulsivos por sexo. Leia o depoimento dele.
"Minha mãe me botou para fora de casa aos 13
anos porque eu era rebelde. Passei a morar sozinho num imóvel da família. Muito
largado, caí numa busca desenfreada por sexo que, mais tarde descobri, era pela
falta de afeto.
[Fazer sexo] era uma desculpa para buscar amor.
Minha primeira vez foi com mulher. Eu era um adolescente inseguro e falhei nas
três primeiras vezes. No mesmo ano, transei com um homem.
Minha parte homossexual era detonada quando me
sentia rejeitado pelo sexo oposto, era como se eu buscasse anulação da minha
masculinidade.
Aos 19, começou a compulsão: encontrava um cara e
ia para a cama. Podia ser na rua, na casa, no cinema, num prédio que eu via que
estava com a porta aberta. Eu entrava, às vezes bêbado, e dizia, direto: 'Vamos
transar?'.
Depois que acabava, sentia culpa. Eu me desculpava
com a pessoa, saía dali e raramente pedia o telefone ou repetia a transa.
Já transei com morador de rua. Já transei com uma
mulher muito mais velha, que eu achava feia, grotesca. Fui pela perversão de transar
com alguém [por quem] não sentia nenhuma atração.
Ficava meses sem ir a um cinema pornô e de repente
ia três dias seguidos, ficava quatro horas, fazia sexo mais de uma vez. Já
houve briga por causa de sugestão sexual que não foi bem aceita pela outra
pessoa. Já levei ameaça.
A compulsão não se mede pela quantidade de pessoas
com quem você faz sexo, mas pelo sofrimento que ela produz. Ela atrapalha a
concentração mesmo quando você não está praticando sexo: você fica pensando num
telefonema que vai receber, numa mensagem em rede social.
Namoro uma mulher há dois anos. A tendência agora é
ficar mais tranquilo. Tive uma recaída depois de uma briga e contei a ela. Sou
fiel por algum tempo, mas não para sempre."
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