FONTE: Doutíssima, TRIBUNA DA BAHIA.
Muitos vivem o dilema de contar
ou não contar a seus filhos adotivos o ato da adoção. Muitos acreditam que o segredo da
filiação adotiva pode lhes aproximar dos filhos ou evitar a sua perda.
Em alguns casos de adoção é comum
os pais fantasiarem sobre uma possível perda do filho diante
qualquer reivindicação repentina da parte dos pais biológicos ou até mesmo
diante do interesse do mesmo pela busca da família biológica. Esses e muitos outros fatores fazem com que
muitos pais escondam de seus filhos a condição de adotado.
Revelar é preciso?
Sim, revelar é preciso. E o quanto antes. Quanto mais cedo melhor e
mais saudável. Muitos pais acreditam que é possível guardar esse segredo para
sempre, mas isso não é nada saudável, nem pra relação pais e filhos, nem
para o desenvolvimento da criança pois, segundo alguns autores em psicologia, mesmo diante do segredo
algo fica no ar e seja psíquica ou inconscientemente existe a sensação, na
criança ou adulto adotado, de que existe algo estranho, ou algo a ser
descoberto.
Muitos relatam um sentimento de
inadequação ou de que falta algo, ou até mesmo lacunas abertas e
dúvidas em relação ao nascimento, diferenças de cor da pele, cabelo, tipo
sanguíneo, personalidade, etc.
Sem contar que toda relação
baseada em algum segredo não é muito saudável. Relações de confiança não se
estabelecem com segredos ou mentiras. Relações onde a confiança é um fator
presente se estabelecem onde não há lacunas e onde há verdade.
Mas… Como contar a uma criança que ela é adotada?
Sei que não é nada fácil revelar
um segredo como esse, mas em algum momento é preciso. Caso não consiga sozinho,
procure ajuda de um psicoterapeuta qualificado.O
ideal é que seja feito o quanto antes, mesmo com crianças pequenas.
Em caso de crianças pequenas, o
fato pode ser contado de forma lúdica, como por exemplo, contar uma historinha
da família de ursinhos onde um ursinho que não pode ser cuidado pela mãe
encontrou uma outra mãe e outra família que pôde cuidar dele com
muito carinho e amor.
Fazer um álbum de fotos da
criança, desde o abrigo ou qualquer outro ambiente em que ela estava antes de
ir para a família adotiva, colocando as fotos de sua infância, sua origem,
lugares que ela passou até chegar na família, relatando sua vida, sua história.
Isso pode ajudar bastante.
Não tem uma única forma de fazer
a revelação da adoção. Pois isso vai depender de vários fatores, da idade da
criança, da família, dos pais, do relacionamento ali estabelecido, enfim, não
temos uma receita ideal.
O que sei é que tudo isso precisa de muito
amor e cuidado, e que por mais difícil que seja, pode promover muita saúde na
relação de pais e filhos e evitar muitos problemas futuros, como em casos em
que a criança descobre de forma ruim, inadequada ou inesperada.
Quebrando paradigmas
Todos têm o direito de saber sua origem. E paradigmas
existentes de que filhos adotados são menos ou que podem ser problemáticos
devem ser quebrados. Família nasce no amor, no cuidado, no afeto, o laço de
sangue por si só não diz muito, é preciso a construção de uma relação de
afetividade e isso independe do sangue.
Existe muito filho órfão de pai vivo, pois a
adoção atravessa até mesmo o biológico, pois todos os pais adotam ou não seus
filhos, sejam eles biológicos ou não. Como alguns autores afirmam, a adoção
perpassa a todos nós, sempre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário