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, Isabela Palhares, José Maria Tomazela e Paula Felix, São Paulo, https://noticias.uol.com.br/
, Isabela Palhares, José Maria Tomazela e Paula Felix, São Paulo, https://noticias.uol.com.br/
A cada dez casos
confirmados de sarampo
no Brasil, três foram em jovens na faixa de 20 a 29 anos. Nos últimos 90 dias
de surto ativo, essa faixa etária foi a mais acometida pela doença, com 1.729
casos, concentrando 30,6% das confirmações. Por ser o mais afetado, o grupo é o
foco da segunda etapa da campanha nacional de vacinação contra o sarampo que
começou ontem em todo o País.
Na primeira fase, a
campanha focou a vacinação de crianças de 6 meses a 4 anos, que têm mais riscos
de complicações - seis bebês com menos de 1 ano morreram de sarampo neste ano.
Agora, o foco é o grupo com maior incidência da doença e mais desprotegido. O
Ministério da Saúde estima que 9,4 milhões de pessoas de 20 a 29 anos não
estejam imunizadas ou tenham tomado só uma dose - são necessárias duas.
O infectologista Celso
Granato, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que
um dos motivos para a faixa de 20 a 29 anos estar mais suscetível à doença é
que a maioria só se vacinou uma vez. "O Brasil demorou a introduzir a
segunda dose na caderneta de vacinação. Nos anos 90, ficou claro que era
necessário aplicar a segunda dose. Só que esse protocolo só passou a ser
adotado em 2004."
O Ministério da Saúde
estima que o surto de sarampo levará, pelo menos, entre seis a oito meses para
ser contornado. Nos últimos 90 dias, foram registrados 5.660 casos da doença,
com 6 mortes. Os registros estão espalhados por 18 Estados, mas a maioria ocorreu
em São Paulo.
Desafio.
Entre junho e agosto,
foi realizada na capital paulista uma campanha focada em jovens de 15 a 29
anos, que foi ampliada para outras cidades da Grande São Paulo. Solange Saboia,
da Coordenadoria de Vigilância em Saúde, órgão ligado à Secretaria Municipal de
Saúde, diz que convencer esse público a se vacinar é um desafio.
"Conseguimos vacinar 44% dessa população, apesar dos esforços. As fake
news estão atrapalhando e há jovens que desconhecem a doença." Para a nova
mobilização, a estratégia vai ser imunizar em universidades, escolas e
empresas.
O instalador de
ar-condicionado Davi Richard Souza, de 21 anos, só se vacinou depois de ter
sido alertado pela mãe. "Foi tranquilo, não deu efeito nenhum. Agora sei
que estou protegido", disse Souza, morador de Sorocaba, município com 46
casos confirmados. As reações adversas da imunização são raras e mesmo quem
perdeu o cartão e não sabe se tomou as duas doses pode se vacinar. Diretora do
Programa Estadual de Imunização da Secretaria de Estado da Saúde, Núbia de
Araújo diz que os jovens devem ir aos postos para verificar se é necessário
completar o esquema vacinal. "Esses jovens não viram o sarampo e não
conseguem valorizar a vacina. A eficácia é de 95%, é uma vacina excelente, mas
uma dose não é suficiente (para proteger)."
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As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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